Abaixo-assinado denuncia violência de granjeiros e pecuaristas em Parque Ecológico de Plácido de Castro

Já ouviu falar no povo indígena huni kuî? Eles integram a comunidade Huwã Karu Yuxibu, situada nos arredores do pequeno município de Plácido de Castro, no Acre. Todos os dias, lutam para reflorestar e preservar a mata da área e buscar autonomia para seu povo. Esta luta, no entanto, tem sido interrompida por ameaças e invasões de granjeiros e proprietários de terras na região.

No fim de agosto, a situação se agravou com a destruição de boa parte do Parque Ecológico que abriga a comunidade, o que impediu o acesso a locais de apoio essenciais para os indígenas. O ataque dificultou os trabalhos da comunidade para proteger a fauna e flora no local. A denúncia foi feita pelo estudante Raphael Hoffman, em um abaixo-assinado criado por ele na Change.org.

A petição de Raphael, que já tem o apoio de mais de 50 mil pessoas, pede ajuda da Prefeitura de Plácido de Castro e do governo do Acre para que o Parque Ecológico seja oficialmente concedido aos indígenas, o que fará com que o local deixe de ser alvo de invasores, que consideram a área “terra de ninguém” e pouco vigiada.

Tal medida “possibilitará que eles [os huni kuî] continuem com trabalhos de fortalecimento da cultura indígena por meio de práticas de educação ambiental e vivências étnicas em conjunto com instituições de ensino das redes pública e privada”, explica o estudante.

Raphael conta que conheceu o cacique e o pajé dos huni kuî durante uma cerimônia de Medicinas Sagradas da Floresta realizada em Garuva, município de Santa Catarina. “Desde então, comecei a acompanhá-los edesenvolvi um respeito e um carinho muito grande por eles e pela forma com que preservam sua cultura”, diz.

Foi por um vídeo do cacique Mapu Huni Kuî que Raphael recebeu a notícia de que a comunidade estava sendo atacada por inúmeros invasores. “Fiquei muito preocupado com a integridade física e moral deles, estudei o caso e pensei as várias formas com que eu poderia ajudá-los, mesmo não estando lá. Foi aí que tive a ideia de criar um abaixo-assinado”, diz Raphael.

O cacique dos Huni Kuî explicou ao jovem que a situação está tensa na região. No dia 24 de agosto, uma audiência entre a comunidade e um granjeiro local tentou definir um acordo de “bem viver”, para o uso mútuo e social dos recursos hídricos e naturais. “Apesar disso, o granjeiro age para impor medo o tempo todo, alegando que ‘dentro da propriedade ele faz o que quiser’, além de andar pela terra com espingarda e facões, o que deixa os índios apreensivos de que ele possa fazer algo contra qualquer um deles a qualquer momento”, diz o criador do abaixo-assinado.

“Infelizmente, o preconceito contra o povo indígena é muito grande, e as atitudes deste senhor refletem isso”, desabafa o paulistano. Raphael acredita que, no entanto, há boas notícias pelo caminho: após a recente invasão à comunidade, tanto a Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos, quanto a Defensoria Pública do Estado e a vice-governadora do Acre se mostraram interessados em ajudar os huni kuî.

De acordo com os chefes da tribo, o governador do Acre, Tião Viana, também se comprometeu a encontrar possíveis soluções para que seja realizada a concessão legal da terra em parceria com o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).

“A adesão de mais de 50 mil assinaturas à petição nos permitiu sensibilizar também outras instituições, além de tornar nossa luta ainda mais legítima!”, diz Raphael. “Queremos garantir a eles o direito de moradia e trabalho, dando continuidade ao fortalecimento da cultura indígena naquele espaço”, completa.

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