Bolsonaro empregou ex-mulher e parentes dela em gabinetes, diz jornal

Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e os filhos mantiveram empregados, em cargos públicos nos gabinetes deles, uma ex-mulher do deputado federal e dois parentes dela. O jornal O Globo revelou que Anna Cristina Vale, a irmã dela, Andrea, e o pai das duas, José Cândido Procópio, trabalharam para a família Bolsonaro desde 1998. Ana Cristina e José Cândido não estão mais nos gabinetes, mas Andrea continua com o deputado estadual Flávio Bolsonaro, filho do presidenciável.

Os casos, no entanto, não podem ser tecnicamente enquadrados como nepotismo. A situação foi normatizada por uma súmula do Supremo Tribunal Federal em 2008. Os casos da família Bolsonaro ocorreram antes disso. Já Andrea não se enquadra por conta do grau de parentesco com Flávio Bolsonaro.

A trajetória de Andrea com a família Bolsonaro começou após o nascimento de seu sobrinho Jair Renan, em 1998. Naquele ano, Jair Bolsonaro a nomeou como assessora na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Ali, ela trabalhou até novembro de 2006. Em 2008, uma semana depois da publicação da súmula antinepotismo pelo STF, foi nomeada no gabinete de Flávio Bolsonaro. Andrea recebe R$ 7,3 mil entre salário e gratificações, além de R$ 1,1 mil de auxílio escolar. O valor líquido, em setembro, foi de R$ 6,5 mil.

Andrea começou a trabalhar com Flávio Bolsonaro no mesmo dia em que o pai dela foi exonerado. José Cândido Procópio Valle estava lotado no gabinete do deputado estadual desde fevereiro de 2003, mas, segundo a súmula do STF, o vínculo familiar entre ele e Flávio é mais próximo que o de Andrea.

Antes, Procópio já havia sido contratado, em novembro de 1998, para o gabinete de Jair Bolsonaro, à época seu genro. Lá, ficou até abril de 2000.

Ana Cristina trabalhou no gabinete de Carlos Bolsonaro em 2000. A Alerj não informou o período em que ela atuou na casa. A ex-mulher de Jair afirma ter deixado a Câmara em 2006, quando terminou a relação com o deputado federal.

Em abril de 2005, durante sessão da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, Jair Bolsonaro defendeu a contratação dos parentes e citou a situação do filho Eduardo, hoje deputado federal por São Paulo. Ele foi funcionário da liderança do PTB entre 2003 e 2004, quando o pai estava no partido.

“Já tive um filho empregado nesta Casa e não nego isso. É um garoto que atualmente está concluindo a Federal do Rio de Janeiro, uma faculdade, fala inglês fluentemente, é um excelente garoto. Agora, se ele fosse um imbecil, logicamente estaria preocupado com o nepotismo, ou se minha esposa fosse uma jumenta eu estaria preocupado com nepotismo também”, afirmou à época.

O relacionamento entre Jair Bolsonaro e Ana Cristina durou 10 anos, segundo declaração do deputado em um processo judicial de 2011 sobre a guarda do filho Jair Renan. Atualmente, ela é chefe de gabinete do vereador Renan Marassi (PPS), em Resende (RJ).

Jair pai, Flávio e Carlos Bolsonaro afirmaram ter sempre agido dentro da lei.

O presidenciável reconhece que sugeriu o nome de sua ex-mulher para trabalhar como assessora de Carlos Bolsonaro, na Câmara Municipal do Rio, e que contratou em seu gabinete o pai e a irmã de Ana Cristina, mas ressalta que essas indicações e contratações ocorreram antes da decisão do STF.

 

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