Contra ministro da Saúde, Sindmed-AC e CRM aderem ao #MovimentoForaBarros

Nesta quinta-feira (3), às 9h, o Sindicato dos Médicos do Acre (Sindmed-AC), o Conselho Regional de Medicina e diversas entidades lançam, oficialmente, em todo o País, o #MovimentoForaBarros. Trata-se de uma resposta às declarações proferidas pelo Ministro da Saúde, Ricardo Barros, que demonstram desconhecimento, desrespeito e descaso com a Saúde Pública e a categoria. A iniciativa é da ‘Aliança Médica’, grupo que reúne médicos de todo o Brasil através de redes sociais, com o apoio e parceria do Conselho Federal de Medicina (CFM), Associação Médica Brasileira (AMB), Federação Nacional dos Médicos (FENAM), Federação Médica Brasileira (FMB), Ordem dos Médicos do Brasil (OMB) e Sindicatos dos Médicos nos Estados.

Através do movimento, que já começou nas redes sociais, a categoria médica busca promover o debate das seguintes pautas:

– Prioridade às indicações técnicas para ocupantes de cargos públicos em Saúde, inclusive, no Ministério;

– Não contingenciamento do orçamento da Saúde;

– Condições dignas de trabalho para os profissionais da Saúde e de atendimento aos pacientes;

– Apoio ao Ministério Público nas investigações de casos de corrupção na Saúde;

– Programa Mais Médicos: prioridade das vagas para médicos brasileiros; obrigatoriedade da revalidação dos diplomas para os médicos estrangeiros, bem como brasileiros formados no exterior; fiscalização e cumprimento da Lei e dos editais;

– Isonomia entre a bolsa do Programa Mais Médicos e a da Residência Médica;

– Utilização do Piso Salarial Médico nas contratações dos serviços públicos e privados;

– Aprovação da Carreira de Estado para Médicos;

– Aprovação do Ato Médico;

– Reformulação da Lei 9656/98 – que dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde – no que tange à remuneração médica;

– Formação: fiscalização ao cumprimento das diretrizes para abertura de novas faculdades de Medicina, que impeçam a criação indiscriminada de instituições de má qualidade no ensino médico e criação de grupo de avaliação (com membros de entidades médicas) das existentes.

 

Outros locais e horários do #ForaBarros

  • Manaus (AM), às 8h, na Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SUSAM);
  • Brasília (DF), às 9h, no Ministério da Saúde; às 10h, marcha ao Congresso Nacional; às 12h, Audiência Pública na Câmara dos Deputados; e, às 14h, audiência com o ministro Ricardo Barros;
  • Curitiba (PR), às 16h, na Praça Santos Andrade (em frente ao Teatro Guaíra);
  • Rio de Janeiro (RJ), às 16h, na Praça da Cinelândia;
  • São Paulo (SP), às 16h, no Museu de Arte de São Paulo (MASP).

Declarações polêmicas

Desde que assumiu o Ministério da Saúde, Ricardo Barros, que é engenheiro civil de formação, profere declarações polêmicas, com ampla repercussão na sociedade. Confira algumas delas:

– “Vamos parar de fingir que a gente paga médicos, e o médico parar de fingir que trabalha. Isso não está ajudando a saúde do Brasil”. (Em 13 de julho último, em Brasília (DF), durante lançamento do programa de biometria na rede pública de saúde);

– Durante evento no Acre, no último mês de junho, Barros afirmou que os médicos estão preocupados em ganhar mais, sem trabalhar o suficiente e, quando foi questionado por um sindicalista sobre os problemas existentes na área, afirmou ainda que o “trabalhador do setor da saúde que estiver insatisfeito pode pegar suavarinha e ir pescar”;

– Em 15 de março último, discurso na Câmara Municipal de Curitiba (PR), Barros criticou a forma de atuação dos médicos brasileiros, afirmando que este não demonstra disposição para o trabalho;

– “Homens trabalham mais. Por isso, não acham tempo para cuidar da saúde”. (Agosto de 2016, durante lançamento de pesquisa da ouvidoria do Sistema Único de Saúde);

– Em abril deste ano, durante evento sobre o Brasil organizado pela Universidade Harvard e o Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT), nos Estados Unidos, Barros afirmou que exames com resultados normais sãodesperdício para o SUS, criticou médicos que solicitam “exame como forma de transferir sua responsabilidade de emitir diagnósticos” e afirmou que o sistema de saúde não pode ser “tudo para todos”;

– “Quanto mais gente puder ter planos, melhor, porque vai ter atendimento patrocinado por eles mesmos, o que alivia o custo do governo”. (Em entrevista à “Folha de S. Paulo”, publicada em 17 de maio de 2016);

– “Na pior das hipóteses, tem efeito placebo. A fé move montanhas”. (Maio de 2016, no Congresso Nacional, sobre a fosfoetanolamina, a chamada pílula do câncer, que não possui eficácia comprovada);

– “Se o mosquito [Aedes Aegypti] se comprometesse a picar só quem mora na casa, era fácil, mas, infelizmente, ele não é disciplinado”. (Em coletiva de imprensa assim que tomou posse, sobre a dificuldade do governo para combater a Dengue, Zika e Chikungunya).

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