Deputado que tatuou Temer é denunciado por assédio: “mostro o corpo inteiro”

O PSB protocolou às 12h55m desta quarta-feira uma representação no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados contra o deputado federal Wladimir Costa (SD-PA) por assédio à jornalista Basília Rodrigues, da rádio CBN. A assessoria do deputado Júlio Delgado (PSB-MG), um dos artífices da ação contra o colega, confirmou o registro. Wladimir é acusado de assediar uma jornalista que o questionou sobre a tatuagem que ele disse ter feito em homenagem ao presidente Michel Temer. Em meio às dúvidas sobre a tatuagem, definitiva ou temporária, Basília perguntou ao deputado se ele poderia mostrar o desenho no ombro. “Para você só (mostro) se for o corpo inteiro”, rebateu o deputado. O episódio ocorreu na véspera da votação de denúncia contra Temer no plenário da Câmara, durante o jantar entre o presidente e parlamentares.

O documento já foi enviado ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados e deve ser apreciado em até três sessões ordinárias.
O texto relata o ocorrido e define a atitude de Wladimir Costa como “inapropriada, impertinente, desrespeitosa e fora do que se espera de um mandatário do povo” e que a postura dele atentou contra a dignidade e honra pessoal da jornalista.

O partido argumenta que a conduta de Wladimir, adjetivada de “jocosa” e “machista”, fez com que a imagem da Câmara dos Deputados como instituição fosse deteriorada e exposta. A representação pede que as atitudes do parlamentar sejam julgadas e punidas com as sanções previstas em lei. Além de assédio, o deputado também é acusado de discriminação de gênero, machismo e misoginia, violando os princípios da dignidade da pessoa humana e desigualdade. O documento ressalta que não é a primeira vez que Wladimir teve conduta parecida e que ele é conhecido por sua forma agressiva, sendo violento até com colegas parlamentares. Também foi citado o caso em que ele trocou mensagens inapropriadas durante sessão do plenário.

A ocasião em que o deputado Jair Bolsonaro afirmou que não estupraria a deputada Maria do Rosário porque ela não merecia também consta no texto, para exemplificar atitudes corretivas tomadas, que levaram Bolsonaro a ser réu do Supremo Tribunal Federal. O partido ainda reclama da passividade do Conselho em relação ao caso e exaltou a atuação do STF em discutir e punir atos de violência contra a mulher.

A redação ainda conta com notas de repúdio de entidades da imprensa que se pronunciaram como o caso, tais como o Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Também é citada uma postagem feita pelo parlamentar em uma rede social na qual ele profere “uma sucessão de frases desrespeitosas, com o nítido propósito de diminuir a figura da sra. Basília enquanto jornalista e mulher”, como define o texto. Publicações de meios de comunicação relatando o caso, incluindo reportagem do GLOBO, também constam no documento.

Fonte: Oglobo

 

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