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quarta-feira, setembro 30, 2020

“Fingimos que trabalhamos quando diagnosticamos sífilis congênita e não tem penicilina, o tratamento padrão universal”

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Por  Carlos Zaconeta

Fingimos que trabalhamos   quando nascem trigêmelares e temos apenas dois berços de reanimação, dois laringoscópios e dois ventiladores manuais.

Fingimos que trabalhamos no plantão noturno quando temos 25 leitos de UTI neonatal e apenas 15 oximetros para ,monitorar o funcionamento cardíaco  e devemos decidir quem deverá ficar sem monitoramento.

Fingimos que trabalhamos quando investimos recursos, conhecimento, esperanças e empatia em um prematuro de 25 semanas e após 56  dias somos obrigados a encaminhar ele a outro serviço por falta de vagas , sabendo que retornará em choque irreversível (os outros serviços não tem experiencia em prematuros extremos) e fingir mais ainda na hora de explicar à mãe que temos que transferi-lo.

Fingimos que trabalhamos quando nasce um menor de 1500 gramas e não temos Blender, nem oxímetro na sala de parto, nem nutrição parenteral e nem leito de UTIN

Fingimos que trabalhamos quando recebemos um recém-nascido com cardiopatia congênita que precisa de cirurgia cardíaca com urgência e sabemos que tem 9 bebês na lista de espera e que o   número 8 está com 2 meses de idade ainda aguardando vaga. Mesmo assim tentamos  manter ele em condições ótimas para cirurgia.

Fingimos que trabalhamos quando atendemos uma adolescente que não teve acesso ao pré natal (faltavam médicos e enfermeiras) e chega na maternidade com idade gestacional duvidosa (entre 22 e 24 semanas) e temos que  decidir sozinhos na madrugada se devemos ou não investir nesse bebê sabendo que nos países de ponta não se investe em menores de 23 semanas.

Fingimos que trabalhamos quando recebemos uma menor de idade usuária de crack que não sabia que estava grávida, investimos no parto, no bebê, na criação do vínculo, mas 60 dias mais tarde devemos entregar o bebê na vara da infância pois não compareceu nenhum responsável pela mãe e a fria mármore da lei não percebe o quanto ela se transformou graças ao bebê e o quanto o futuro do bebê depende do amor da mãe dele.

ENTÃO, PORQUE FINGIMOS?

FINGIMOS PORQUE ACREDITAMOS NA VIDA, FINGIMOS PORQUE ENTRE NÃO FAZER NADA E FAZER O NOSSO MELHOR ESCOLHEMOS A SEGUNDA OPÇÃO, FINGIMOS PORQUE A DOR DAS MÃES E A DOR DOS RECÉM NASCIDOS PEDEM QUE ATUEMOS OU LUTEMOS MAS NUNCA DESISTAMOS, FINGIMOS PORQUE DE VERDADE, AMAMOS OS RECEM NASCDOS . FINGIMOS PORQUE DEUS NOS DÁ FORÇAS PARA ACREDITAR EM UM FUTURO MELHOR.

QUAL É A REALIDADE NAS OUTRAS ESPECIALIDADES?

 

*Médico pediatra




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