Vaidade de Lula piorou com o passar do tempo, diz biógrafo de ex-presidente. “Será um erro para o país disputar eleição em 2018”

O acadêmico britânico Richard Bourne não fala pessoalmente com Lula há alguns anos, mas acompanha com preocupação e alguma surpresa as notícias sobre a primeira condenação do ex-presidente no âmbito da Lava Jato. Bourne conviveu com Lula no final de seu primeiro mandato, quando escreveu o livro Lula of Brazil: The story so far (“Lula do Brasil: a história até agora”, em tradução livre), e diz que a “vaidade” e a personalidade dominante” do líder petista contribuíram para deixar o partido e o legado de seu governo em uma situação difícil diante de sua perda de prestígio.

“Acho que há um problema com a dominância que Lula tem no partido há tanto tempo. É difícil para que outros cresçam. O partido sofre de uma ‘imagem de um homem só’, o que é a antítese dos seus próprios ideais mais progressistas”, disse a BBC Brasil, em entrevista por telefone.

“Com uma personalidade dominante, sempre há o perigo de se cercar apenas de pessoas que digam sim. Acho que, no início do PT, havia vozes diferentes e pessoas que desafiavam Lula. Acho que, quando ele se tornou presidente, isso se tornou um problema. Talvez não tenha havido pessoas suficientes dizendo: ‘Lula, você está cometendo um erro, precisa ir numa direção completamente diferente’.”

Segundo o biógrafo, o ex-presidente continua sendo alguém que “consegue iluminar um palanque”, mas cuja popularidade pode ter contribuído para um sentimento de invulnerabilidade – que ajudaria a explicar não só uma “tolerância à corrupção” como sua intenção de se candidatar novamente à presidência em 2018.

“Lula certamente alguém vaidoso e isso piorou com o passar do tempo. Uma das piores coisas da morte de Marisa é que não há mais uma pessoa para desinflar um pouco essa vaidade e mostrar a ele o que ele deveria estar fazendo.”

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