“Não é fraqueza”, escreveu pai de Bruna Borges em carta testamento, antes do suicídio. “Hoje estarei junto de minha filha amada”

O militar e a esposa

Uma carta que seria de autoria do subtenente do Exército Brasileiro, Márcio Brito, dá a entender que o militar planejou o suicídio, ocorrido há duas semanas. Ele era pai de Bruna Borges, acadêmica do Curso de Ciências Sociais da Ufac que suicidou-se por enforcamento com transmissão, ao vivo, para cerca de 300 seguidores.

Esta seria apenas uma das várias cartas deixadas por Márcio. No documento, ele não faz referência à mulher, a técnica em enfermagem  Claudinéia Borges, cujo corpo estava ao lado dele, pedurado em cordas, na garagem de uma residência da Vila Militar Dom Bosco, Bairro Bosque. Márcio despede-se de amigos, revela bens materiais, cita o irmão e deixa críticas ao Exército. Leia

NÃO VALE A PENA!

Na íntegra, cartas de despedida do casal Borges: Eu, Márcio Augusto de Brito Borges, Deixo expressa a minha vontade de que meu irmão, Antônio Luís de Brito Borges, gerencie e faça a partilha desses bens aos restantes dos meus irmãos, incluindo o meu sobrinho Rafael, totalizando 5 pessoas.Apartamento da Isaura Parente, avaliado em 220.000 reais. Poupança no valor de aproximadamente 2.500 reais na Caixa Econômica. E mais o meu salário do mês, que vai cair no banco Santander. Carro Onix Placa OTV 7621, fica para o meu irmão Antônio. Minhas ferramentas, duas impressoras, a que está no quartel é minha, duas máquinas de costuras, devem ser entregues ao meu amigo SD Wisley Oliveira, o qual deixo 1.000 reais que estão em um envelope em cima da cama. Toda a roupa que está arrumada deve ser jogada no lixo. Meus dois cachorrinhos Shitzo ficam com o meu irmão Antônio. Até o meu retorno de viagem deixo 110,00 reais para pagar a conta da cantina no 4º BIS. 2.950,00 reais no porta-luvas do carro pra custear a vinda do meu irmão Antônio até aqui. As chaves do carro estão em cima da mesa de plástico. As chaves do meu apartamento estão em cima da mesa de plástico. E, por fim, deixo um grande abraço aos companheiros Morelato, Bessani, Jonas, Izaquias, Sandro, a todos da SUOPES GUERREIRA e a todos que deixei de citar neste momento, são muitos e seria difícil colocar todos aqui. Hoje estarei junto de minha amada filha. Não é fraqueza minha, mas sim uma vontade enorme de tentar encontrá-la, se realmente existir vida além dessa, que é algo que não acredito, mas vou tentar. Não é fácil não fazer isso, mas é necessário, tem que ter muita coragem e minha pequena foi muito audaciosa e corajosa. Sou covarde, mas encontrei coragem pra ir até o final. E pra não deixar de fazer uma referência, comento rapidamente sobre a falta de prestígio que um subtenente tem dentro do Exército, pois somos entubados de missões e sem qualquer tipo de reconhecimento, por muitas vezes tendo que nos rastejar para conseguir uma promoçãozinha. Digo a todos não vale a pena. Vão se dedicar a suas famílias. Os nossos comandantes ganham muito bem para ficar depois do expediente. Já nós, praças, não temos essa mesma obrigação. Desabafo de um profissional, pois é o que eu sempre fui e sempre tive o reconhecimento de todos para quem trabalhei. Obrigado e fiquem todos com Deus!

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