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quarta-feira, junho 16, 2021

Com violência nas alturas, PM´s do Acre fazem segurança de empresário e protegem mansão de idosa milionária

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Policiais militares do Acre fazem segurança privada ao empresário Marcelo Moura, controlador do Grupo Recol e proprietário da TV Gazeta, afiliada da Rede Record. A escolta é diária, 24 horas ao dia, e não sofre interrupções nos deslocamentos do empresário para seu escritório de trabalho, ao apartamento onde mora com a esposa e nas reuniões de negócio, dentro e fora do Acre.

Na mansão onde vive a matriarca da família, dona Raimunda Alves, de 90 anos, policiais são vistos em rodízio constante. A “troca de turno” ocorria com discrição, mas recentemente o ritual não tem evitado exposições. Há movimentação intensa sempre ao amanhecer, quando seguranças particulares também se juntam ali. O acjornal conseguiu a imagem de uma viatura oficial da Polícia Militar do Acre dentro da mansão O Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE)  é uma tropa de elite da polícia, treinada especialmente para o combate em diversas situações e para o resgate de reféns. Não é o caso.

A idosa mora no local com empregados e uma parente e nunca é vista em público. Em sua página no Facebook, dona Raimunda postou a foto de um militar à paisana, num dos cômodos da casa, sentado à mesa. O próprio empresário tem proteção 24 horas de policiais militares.

A imagem mais recente, obtida pela reportagem, mostra Marcello Moura empurrando carrinho de compras na rede de supermercado da família, o Pague Pouco. Ao fundo, um militar observa os passos do empresário, acompanhado pelo sócio e publicitário Rodrigo Pires.

Diz a Lei: abrange o serviço policial a prevenção e investigação criminais, o policiamento ostensivo, o trânsito e a proteção em casos de calamidade pública, incêndio e salvamento. A segurança privada por agentes públicos é, portanto, vedada.

Em 2017, houve denúncias, na Assembléia Legislativa, de uso exagerado de forças policiais para a segurança pessoal do governador Tião Viana (PT). Apesar do aumento da criminalidade, o efetivo não foi redistribuído.

Dois oficiais ouvidos pela reportagem confirmaram a ocorrência de transgressões disciplinares. Ao pedirem anonimato, eles disseram que “esse tipo de situação vem ocorrendo com certa frequência, e não é de hoje que fazem vistas grossas”. As fontes fizeram questão de associar o desvio de conduta à alta na criminalidade, acrescentando que “um policial que usa sua folga para atividades extra militares conta com proteção e o silêncio de seus superiores”.

Ainda em 2015, a Associação dos Militares do Acre (AME) admitiu não haver fiscalização e também nenhum tipo de punição para os policiais que fazem essas atividades extras fora do horário de trabalho, e admitiu que essas atividades podem colocar a vida do PM em risco e que isso deve ser mudado. A associação culpou os baixos salários. O então comandante da PM, Júlio Cesar, chegou a classificar de ilegais os chamados “bicos”, e entendeu que os empresários que contratam esses serviços também são culpados. Júlio César deixou o Comando Geral há alguns dias sem cumprir a promessa de punir casos comprovados.

A Direção de Jornalismo de acjornal.com não conseguiu contato com o major Assis, comandante do BOPE. Houve várias tentativas a partir de dois celulares informados pela Secom da PM, inclusive um de DDD 61. O comandante-geral, coronel Kimpara, não estava no quartel nas duas tentativas de ouví-lo. O coronel Ruiz, chefe de gabinete do Comando-Geral, informou que Kimpara somente teria horário para receber a reportagem às 15 horas desta quinta-feira (8). Por decisão deste site, a matéria deveria ser publicada nesta terça-feira, considerando as várias tentativas frustradas de obter explicações oficiais.

 

 




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