Entrevista: Rosana do Sinteac consolida candidatura em defesa da Educação e dos trabalhadores rurais

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A professora Rosana Nascimento é a única candidata com propostas consolidadas para a defesa dos professores, funcionários de escola e trabalhadores rurais. A presidente licenciada do Sinteac, maior entidade sindical do Acre, impressiona ao reunir apoiadores espontâneos nos 22 municípios. Com um sentimento de gratidão, ela comenta o apoio recebido dos líderes do movimento sindical no interior, em especial os presidentes dos núcleos do Sinteac que a ajudaram a encaminhar e conquistar todos os direitos da categoria nos últimos anos.

“As agendas de campanha são sempre intensas. Sou mãe, esposa, filha por telefone”, brinca a candidata, uma das mais bem cotadas para assumir a Câmara Federal. “Não há tempo para pensar no dia da eleição. Minha meta é explicar as nossas propostas ao maior número possível de pessoas. Com poucos recursos e nenhuma doação, nos resta andar, andar, andar. Estou nessa por um objetivo muito maior, que é, ao chegar na Câmara Federal, lutar por uma educação melhor, um ambiente de trabalho mais digno aos nossos educadores, salários justos, a garantia de todos os direitos já conquistados e um futuro decente às famílias que botam na nossa mesa o milho, o arroz, a mandioca, a farinha e outros alimentos”, declarou Rosana Nascimento, apontada como a principal líder sindical do estado.

Leia os principais trechos da entrevista com a candidata, concedida ao acjornal após a concorrida caminhada no município do Bujari, neste domingo.

acjornal – O que a senhora tem dito para as pessoas de casa em casa?

Rosana Nascimento – A educação básica brasileira continua não sendo uma prioridade do Estado. A média salarial baixa do professor do ensino básico no Brasil ainda é um grande obstáculo à nossa educação pública. O índice de escolarização média brasileira é metade do índice argentino e pouco mais de um terço do de Cuba. Além disso, o modelo pedagógico efetivamente praticado no Brasil privilegia o mero acúmulo de informações, sem se preocupar em desenvolver a capacidade crítica dos alunos. No ensino superior, avançamos, mas ainda temos somente 18% de jovens de 18 a 25 anos matriculados. Mas há bons exemplos no país. Mesmo com limitação orçamentária e com o modelo pedagógico atual, poderíamos estar bem melhores do que estamos hoje no Brasil.

acjornal – A senhora esta falando de uma revolução necessária na Educação? É por esta causa que a senhora vai lutar se for eleita?

Rosana Nascimento – Se você vê por esse lado, não deixa de ter razão. Vejamos: o país não prioriza o investimento em gente, ou seja, no preparo na capacitação das pessoas e na remuneração dos profissionais;  Não se tem apoio material à criança pobre para permanência na escola e diálogo com seu grupo familiar. Se isso existisse, haveria um acompanhamento escolar acima de qualquer crítica por parte do estado;  veja que é preciso repensar metodologias de ensino, abandonando o foco da memorização de fatos e fórmulas e focando no desenvolvimento de capacidades analíticas (práticas e conceituais) para aprender a aprender. Não podemos aprovar nosso alunos por aprovar; além disso, as escolas devem ser adaptadas à era digital, informatizando todos os procedimentos possíveis no espaço escolar, mas, principalmente, disponibilizando conteúdo informativo e interativo atraente para a nova geração de brasileiros. Quando as crianças aprendem a aprender, se tornam criticas, naturalmente.

acjornal – Pelos menos dois políticos do PT, o Sibá Machado e o Daniel Zen, foram eleitos em 2014 com promessa de defender a Educação e os educadores. Hoje, eles repetem o mesmo discurso….

Rosana Nascimento – Pergunte ao educadores o que foi feito em defesa deles lá em Brasília. Pergunte aos serventes, merendeiras, vigias, coordenadores de ensino e outros profissionais o que foi feito por eles na Assembléia Legislativa. Eu tenho certeza que a indignação e o sentimento de terem sido enganados falarão mais alto. No Acre, não é segredo para ninguém que nossos educadores precisam se libertar desse modelo de gestão perverso. Sindicalistas não são recebidos para sequer apresentar uma pauta em defesa de professores e funcionários de escola. Nos tratam como inimigos e, em consequência disso, travam o reconhecimento aos nossos direitos. A greve de 65 dias que nós lideramos em 2015 teria sido evitada se a Educação fosse vista como essencial para o aprendizado e formação dos cidadãos. A intransigência só trouxe desgaste ao governo. Problema deles. Os trabalhadores saíram vitoriosos, graças a Deus !!

acjornal – Como a senhora avalia o desempenho da Bancada Federal em defesa dos produtores rurais?

Rosana Nascimento – Deprimente. Famílias que sobrevivem do que plantam e colhem vivem sob o domínio do medo e da incerteza. Não se pode desmatar nem queimar para abrir um pequeno roçado. Gente humilde esta sendo multada pelo Instituto Chico Mendes e Ibama em valores que superam o preço de suas propriedades. Há ocorrência de corrupção. E ninguém faz nada. Agora, agentes políticos tentam entrar nas localidades para pedir votos. Eu soube que muitos desses políticos não são bem vindos, sobretudo na Resex Chico Mendes, onde a cultura do extrativismo enquanto mecanismo para impulsionar renda decente nunca saiu do papel. Ali, eles vivem de aposentadorias, estão doentes e o dinheiro que recebem mal dá para comprar medicamentos. Isso é uma vergonha. Tenho visitado as famílias, que declararam apoio à nossa luta, e ouvi horrores das coisas que o Estado faz quando deveria zelar pela sua obrigação. Os ramais viraram picadões. As prefeituras, a Seaprof e o Incra não se entendem. Produtos estragam e acabam virando moeda de troca barata. Serei implacável na cobrança e fiscalização.

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