Governo paga plantões diários e salário integral a servidora que acompanha o marido em SP há 3 meses

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A servidora da Secretaria de Saúde, Maria Helena Paula da Silva, está ausente do Acre há pelo menos 90 dias. Mas aparece na escala de plantões da Maternidade Bárbara Heliodora todos os meses. Seria possível? Para o governo, sim, ainda que num passe de mágica.

O nome da mulher na escala (veja ao lado o documento obtido pela reportagem) lhe dá “direito” a vários plantões durante o mês, mesmo ausente do local de trabalho. No Portal Transparência do Governo do Acre, Maria Helena também aparece como beneficiária de salários integrais, sem qualquer desconto por faltas. Ela está lotada como agente administrativa com remuneração mensal de R$ 3.220,55 brutos.

Juntando os plantões pagos indevidamente, a renda da servidora praticamente duplica todo mês, enquanto ele permanece em São Paulo, resolvendo questões particulares.

A reportagem de acjornal fez duas ligações para a maternidade, na manhã desta quinta-feira, em busca de explicações. Na primeira delas, uma atendente, extremamente irritada, disse que “quem tem negócio com a Maria Helena deve ligar direto para o telefone pessoal dela”. O repórter insistiu:

-Mas aí é o local de trabalho dela. Ela se encontra ou não?

A atendente desligou o telefone.

Na segunda tentativa, o repórter buscou falar com o gerente administrativo Marcio Mendonça Ramos. Ele é primo do vereador Jackson Ramos, do PT, que também é médico e exerceu cargo de chefia no Huerb. Foi dada a informação de que o gerente está de férias. O jornalista Assem neto localizou em seguida a servidora Atila Socorro Café Marinheiro, responsável pela escala de plantões. Ela admitiu ter havido erro na manutenção da servidora na escala, recebendo sem trabalhar, e que um outro servidor está tirando os plantões no lugar da mulher. “Foi uma exceção que fizemos para ajudar a funcionária. Eu sei que não está certo, mas ela ficou de voltar logo. Houve imprevistos e ela ligou dizendo que ia demorar”, disse Atila. Ela afirmou que “é normal outro funcionário tirar plantões “por dois, três dias, em nome do titular”. Porém, não houve explicações para o fato de Maria Helena estar há mais de 90 dias fora do Acre, sendo substituída por terceiros. Oficialmente, a Sesacre diz que Maria Helena viajou para acompanhar o marido, que é militar do Exército Brasileiro e foi transferido para São Paulo.

Sindicalista repudia

A sindicalista Rosa Nogueira, presidente do Spate, repudiou o que chamou de “pouca vergonha”. Segundo a sindicalista, a servidora deveria estar fora da escala e sem salários pelo tempo que permanecer longe do Acre. “Tem gente trabalhando mais, se sobrecarregando, para suprir a ausência desta servidora. Os salários dela deviam ter sido suspensos. E tem muitos profissionais aprovados em concurso, esperando ser chamados. A gente não apóia a ilegalidade. pelo contrário, devemos combatê-la. Infelizmente, a Sesacre está cheia de coisas erradas que o Ministério Público não vê. Ou, se vê, faz de contas que não sabe. Vamos ver se haverá punião nesse caso. Na pior das hipóteses, todo o dinheiro pago indevidamente, a titulo de plantões e salários, deve ser devolvido”, disse Rosa Nogueira.

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