No Acre, promotor pede condenação de professor por pedofilia. Veja provas exclusivas

0

Tudo que se ouve de mais sórdido à boca pequena sobre sedução e exploração de menores está caracterizado, em documentos e fartas provas, num caso gravíssimo de pedofilia, devidamente mastigado numa investigação que durou quatro anos. O principal envolvido: o professor Jorge Michael Souza da Cruz, um escritor abertamente simpatizante do Partido dos Trabalhadores (PT), autor dos livros “Uma Breve História do Acre” e “Amigos do Reino”. A vítima: um pré-adolescente que cursava o sexto ano quando Jorge lecionava na Escola Estadual Professor Almada Brito, na Regional Calafate, em Rio Branco-AC, em 2014. Hoje o garoto tem 16 anos.

A reportagem de acjornal teve acesso, com exclusividade, às provas do processo 0500398-41.2017.8.01.0081 que corre em segredo de justiça (veja abaixo), mas está concluso para sentença após denúncia fundamentada pelo promotor Mariano Jeorge de Souza Melo. A condenação ou não do professor está nas mãos do juiz da 2ª Vara da Infância e Adolescência da Comarca de Rio Branco. A psicóloga Januária paiva, da Delegacia de proteção ao Menor, recomendou cuidados especializados ao menor.

O garoto permitiu que o pai, um pastor evangélico, desconfiasse de tudo ao relatar que o professor lhe dava carona, diariamente, após as aulas. E lhe oferecia mimos – entre bombons, chocolate, notas acima da merecida e promessas de outros presentes no dia do seu aniversário. Os pais do garoto buscaram a polícia ao saberem que o filho já não queria mais ir à aula de bicicleta. A queixa-crime relatada na delegacia choca pelos detalhes. O assédio era intenso, dentro do carro, onde o professor botava filme erótico, tentava beijar e acariciar as parte íntimas do garoto. Mas ele caiu numa cilada.

O professor enviava imagens de seu pênis para o menor e pedia que o garoto retribuísse na mesma medida. Os diálogos se sucederam dia após dia, geralmente à noite, e o professor sempre alertava o garoto para apagar as conversas. Ele não sabia que, na verdade, estava conversando com uma irmã da vítima, que, ao desconfiar da proximidade do professor, tomou o celular e instigou Jorge Michael a produzir provas contra si.

O acusado é graduado em História pela Universidade Federal do Acre (2011). Deu início á graduação em Direito no Instituto de Ensino Superior do Acre Iesacre). Realizou o trabalho, na função de Professor, pela Secretaria Estadual de Educação (2011-2014), e no Colégio Lato Sensu-Ac, do 9º ano do Ensino Fundamental ao 3°ano do Ensino Médio (2014-2016). Após isso, atuou como professor em Pré-ENEM, e estagiou na Procuradoria Geral do Estado do Acre e no Tribunal de Justiça do Estado do Acre.

Em seu perfil no Facebook, Jorge escreveu, no último dia 12: “Feliz Dia das Crianças”. Nesta segunda-feira, ele postou: “Que orgulho eu tenho de ser Professor! Parabéns pra mim e para todos os meus colegas de profissão”. Noutra postagem, ele escreve, cercado de livros: Armado até os dentes! Essa deve ser a arma do brasileiro. A educação transforma qualquer realidade”.

A reportagem consultou a OAB-Acre e foi informada que não há advogado com esse nome. Jorge Não aparece na folha de servidores ativos do Governo do Acre. A SEEE não retornou o contato feito pela reportagem. O defensor público Rogério Carvalho Pacheco alega, no processo, em defesa preliminar datada de 25 de janeiro de 2018, que a inocência do seu cliente seria provada na audiência de instrução e julgamento. O defensor questiona o teor da denúncia feita pelo MP e, naquela época, pediu que fosse assegurado o direito de ampla defesa e contraditório. Rogério também não foi localizado.

O pedido de condenação assinado pelo promotor Mariano Jeorge é de 5 de setembro deste ano.

O espaço está aberto para a versão do professor ou de seus advogados.

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here