Relatório incrimina jornalista que acessou o Sigo, na redação de jornal, com senha “comprada” de sargento da PM. Veja as provas

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Boa parte dos mais de mil acessos indevidos ao Sigo, pela jornalista Lilia Camargo, foi feita de dentro da redação do Complexo O Rio Branco. Relatório conclusivo assinado pelo agente de polícia Cauélisson Lima de Andrade, do Serviço Reservado, é ilustrado com uma prova cabal: o print de uma tela de computador em que aparecem a página principal do Sistema Integrado de Gestão Orçamentária, seguida de outras páginas minimizadas, na aba superior da máquina, dentre elas o email pessoal da jornalista e o endereço do site oriobranco,.net, onde a repórter trabalhava à época (veja na galeria de imagens).

Para o investigador, é improvável que outra pessoa estivesse acessando dados ultra confidenciais, restritos às autoridades da Segurança Pública, com o consentimento da repórter. A senha utilizada devia ser de uso exclusivo do sargento da PM, Rodiney Lima Rodrigues, também incriminado por violação do sigilo funcional. O militar foi preso no ano passado sob a acusação de trabalhar como jagunço de um fazendeiro em terras do Amazonas, durante uma tensa desapropriação ordenada pelo Judiciário do Acre.

O acjornal obteve cópias do processo em que a jornalista é acusada por ilícito penal (oferta de vantagem financeira a servidor público). O policial autor do relatório destaca a semelhança dos textos dos boletins de ocorrência com as reportagens de autoria da repórter, que sequer atentou para a possibilidade de vir a ser desmascarada no futuro.

“Para cada ocorrência mencionada em matéria jornalística foi solicitadas pesquisas de acesso, tanto na Polícia Militar quanto na Polícia Judiciária. O resultado é surpreendente: o único acesso comum (senha do sargento) cujo teor se confunde com matérias jornalisticas publicadas pela jornalista Lilia Camargo”, diz o investigador Cauélisson em seu relatório.

Até mesmo as fotografias dos acusados, feitas com recursos do governo, eram capturadas para ilustrar as matérias que enchiam as páginas policiais dos jornais e sites de notícias. A jornalista prestou serviços para vários noticiosos da capital e tem fama de profissional dos mais dinâmicos na cobertura de polícia. Lilian começou a escrever para a imprensa local em 2014. Dois anos antes, diz o relatório, a senha do policial já era usada para fins alheios à administração pública.

Ouvido na Delegacia de Polícia, o sargento disse que não sabe como alguém acessou ao Sigo com a sua senha. Afirmou que ele mesmo raramente se ocupava em buscar informações do sistema integrado. Disse ainda que só conhecia Lilia Camargo por meio do noticiário e negou que a jornalista lhe tenha ofertado dinheiro (800 reais, segundo apurou a polícia) para que ele fornecesse a senha.

Em nota, Lilia Camargo disse admitiu que conhecia o sargento. Na delegacia, ao ser chamada a depor, no entanto, a jornalista afirmou que jamais teve contato com o militar, informando ao delegado que havia emprestado o seu computador a alguns policiais.

A repórter entrou incorreu em grave contradição.

“Fui chamada a Corregedoria de Policia Militar como TESTEMUNHA, e prestei os meus esclarecimentos as autoridades, informando qual o meu relacionamento com o sargento citado no processo que de fato tem amizade com a família e como todo profissional, tinha meus contatos para obter informação no setor de atuação. Sempre usando dos artifícios legais, os acessos eram feitos pelas fontes e não por mim”, afirmou na nota.

 

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