Deputado do PSL revela ser gay após atrito com colega trans

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Negro, gay e favelado. Pronto, sou o combo do vitimismo brasileiro”, ironiza o deputado estadual paulista Douglas Garcia (PSL), 25, sobre a sua própria situação.

Sua homossexualidade não era pública até a colega Janaina Paschoal subir na tribuna da Assembleia Legislativa de São Paulo, nesta sexta (5), e fazer o anúncio, a pedido dele: Douglas estava “um pouco abalado”, mas conversou com os pais e agora, finalmente, tomou a decisão de sair do armário.

O parlamentar conta à Folha que assim quis porque não aguentava mais ouvir gente dizendo que ele era homofóbico ou transfóbico, inclusive homens com quem já se relacionara. Rótulos que ficaram ainda mais populares após o parlamentar entrar em atrito com EricaMalunguinho (PSOL-SP), a primeira transexual eleita para a Casa paulista.

Foi assim: na véspera, a psolista havia discursado contra um projeto de lei de outro deputado, Altair Morais (PRB-SP).

O texto desse deputado estabelece que o sexo biológico seja o único critério para definir se um atleta que compete em partidas oficiais do estado é homem ou mulher. Ou seja, esportistas trans não poderiam atuar numa equipe que corresponda ao gênero com o qual se identificam (se Erica quisesse jogar futebol, por exemplo, teria que ser no time masculino).

Douglas elogiou a proposta de Altair e foi além: disse que se soubesse que no mesmo banheiro que sua mãe ou irmã estivessem entrasse “um homem que se sente mulher, ou que pode ter alegado o que quiser”, ele mandaria sair dali na hora. “Vou tirar primeiro no tapa e depois chamar a polícia para ir levar.” 

O PSOL pediu a cassação do deputado do PSL depois disso.

Nesta sexta-feira, o deputado disse à reportagem que ser gay, agora abertamente, não o move um centímetro das ideias que sempre defendeu. Uma delas é que uma pessoa trans não pode frequentar toaletes destinados ao sexo diferente daquele seu biológico. 

Também fala em lutar pela “pureza da infância” e contra “esse absurdo que é o movimento LGBT indo para a rua pegar crucifixo e enfiar no ânus”. Atos assim já foram visto em protestos da comunidade, mas são minoria absoluta.

“Isso não me representa, não representa os gays. Não quero que as crianças na escola sejam incentivadas a aprender erotização infantil”, afirma.

Douglas é entusiasta fervoroso de Jair Bolsonaro (PSL), mesmo antes de o capitão reformado virar presidente ou do próprio jovem decidir entrar na vida partidária.

Folha o questiona: Bolsonaro já disse que preferia um filho morto num acidente a um filho homossexual. Como ele, gay, se sente com essa frase do seu ídolo?

“Jair é um militar com mais de 60 anos [ele tem 64], pra que arrumar assunto sobre homossexualidade, homossexualismo, para um militar que passou metade da vida num ambiente cercado de virilidade? Claro que a resposta dele será bem agressiva, mas não significa que ele sairá pela rua, ‘pá, pá, pá’, atirando em tudo quanto é gay”, diz.

“Tanto é que muitos gays votaram nele”, emenda. “Se acha [ser gay] uma coisa ruim, é opinião dele. Não tira o fato de eu o admirar.

 

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