Dez alunos são suspensos e professor devolvido após trama para invadir escola em Rio Branco

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Mães desesperadas buscaram providências da Escola Lourival Pinho diante da possibilidade de atitudes violentas no decorrer das aulas. Áudios e vídeos em poder da polícia e da Secretaria de Educação comprometem um professor (que já foi devolvido pela escola) e vários estudantes, dez deles devidamente suspensos por ordem da diretoria. Nas gravações, obtidas há cerca de um mês, fica clara uma trama para a ocupação da escola, fechamento de ruas e posicionamento de barricadas nas imediações do prédio.

O diretor do estabelecimento de ensino deveria ser amarrado, de acordo com as gravações. Um dos alunos chega a afirmar que já conseguiu as armas. A Coordenadoria de Ensino da escola confirmou que alguns vídeos e áudios foram feitos “tarde da noite”, em que o professor aparece deitado, aparentemente sozinho, em sua residência, conversando com alunos. O veículo particular do diretor chegou a ser pichado com as inscrições “B13”. O teor das conversas insinuam uma revolta sem motivo aparente. “Ele usava linguagem imprópria, fora dos padrões da educação”, disse José Ferreira Rêgo, chefe do Departamento de Gestão da SEE

Uma sindicância foi aberta. O acjornal localizou uma mãe de aluno que teve acesso aos áudios e aos vídeos. Ela conta que tomou posse das gravações, em poder do filho, e buscou a direção da escola. “Tem aluno dizendo que já conseguiu armas. Tem aluno prometendo invadir. Eu acho que eles iam fazer. Iam fazer. Eu fiquei aterrorizada depois daquilo que aconteceu em Suzano (chacina com vários mortos após invasão por alunos da própria escola)”, disse ela.  

“Nós temos fé que isso não vai acontecer. Estamos superando esta situação, conversando com os alunos e vamos dar o apoio necessário ao professor, que precisa de tratamento em relação a algumas coisas”, disse o diretor da SEE. A professora Rosana Nascimento, presidente do Sinteac, entende que a situação exige postura rígida do estado. “Alunos com comportamento agressivo demais deve ser expulso. E o professor, dependendo do grau de gravidade de seu comportamento, punido exemplarmente. Ambiente escolar não é lugar para esse tipo de ameaça. Palestras ajudam, mas a presença constante da polícia é melhor ainda”, disse.  

O diretor da escola não quis falar. A Coordenadoria de Ensino informou que, ao serem ouvidos, os alunos disseram estar arrependidos. “Eles ficaram solidários ao professor, que havia sido transferido de outra escola. Queriam que ele permanecesse conosco quando souberam dessa transferência. O professor não cometeu crime. Acreditamos que a SEE saberá conduzir esse processo. O ambiente na escola está bem melhor”, declarou a coordenadora.

A SEE informa que não vai disponibilizar os áudios e os vídeos, por conter diálogos impróprios, e são peças chaves de uma investigação que não terminou ainda. 

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