Editorial: o governo Gladson e os ermitões da Casa Civil

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Nove entre dez secretários de estado, coordenadores e diretores do governo repudiam a arrogância em pessoa, instalada como carma justamente num lugar onde devia ser mais acessível. Assim eles próprios nomeiam o chefe da Casa Civil, Ribamar Trindade. É o próprio dono do Acre, é soberba e, há quem diga, mesmo assim tá mais grudado na cadeira que merda em chinelo, ou pentelho em sabonete. Trindade assumiu, juntamente com duas ou três secretária que o rodeiam, um comportamento ruim para as pretensões do governador de desburocratizar a coisa pública, dar transparência dos seus atos à sociedade e leveza a um governo que tenta apagar marcas tão medonhas.

Em rápido diálogo com alguns assessores de primeiro escalão, a revolta com a postura do advogado egresso do Tribunal de Contas parece discurso pronto: dá nojo, reage um deles que não consegue emplacar agenda com o governador sem antes ter a pauta da conversa escrafunchada pelos ermitões da Casa Civil. Outro vê em Ribamar um poço de petulância. Pudera: ele que quase perde a compostura ao receber ofício da secretária do Ribamar em tom de intimação (para tratar assunto de interesse governamental). Nem mesmo quem trabalha nas salas ao lado vêem ou conseguem falar com o ex-play boy conhecido pelas festinhas pesadas em bairro nobre da então pacata Rio Branco. 

Sim, são ermitões (no plural), aqueles seres que vivem em lugar deserto, isolado. Mas o local de sua morada não é extensão de sua casa, razão pela qual só meia dúzia de bajuladores não vê o quanto é nojenta e desnecessária a mania de julgar, controlar, agir como dono da verdade. Nem mesmo assuntos de interesse imediato, do governo ou do povo, interessa ao chefete da Casa Civil. Do contrário, Ribamar e seu grupo – o mesmo que derrubou o porta voz do governo, há dias – se dignaria a, ao menos, atender telefonemas ou responder mensagens. 

“Eu não quero glorias nem tão pouco me glorificar. Quero apenas o respeito”, reagiu um secretário. “Ou esse cara tem o rei na barriga ou tem carta branca para fazer o que quer”, pontuou.

Jornalistas, para Ribamar, somente merecem ser atendidos aqueles que o ameaçam ou promovem extorsões ao governo. Ele trata os desiguais como iguais, o que é um erro imperdoável. Vê-se, aí o quanto se queda ao jogo sujo o poderoso e perigoso confidente palaciano. Poderoso por tripudiar impunemente, apegado a uma amizade com o governador e laços familiares com a dinastia Cameli; perigoso por que, até que provem o contrário, é, o Ribamar, quem devia evitar tantas nomeação que, em seguida, são desfeitas, imputando ao governador essa chuva de críticas em torno da “petetização do governo”. 

Ora, cabe à Casa Civil receber, avaliar e encaminhar os decretos que o governador assina. Ou o assessoramento é falho ou há premeditação na ocorrência de tantos atos no diário oficial. 

Gladson Cameli talvez nem saiba o quanto são desleais aquele que o cercam.  

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