Exclusivo: Fatura mostra pagamento de R$ 1.1 milhão à empresa do Cel. Ulisses no último dia de 2018

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A Estação VIP, empresa de segurança privada, pertencente à família do coronel Ulisses Araújo, recebeu R$ 1.096.000,00 do Governo do Acre por serviços prestados à Secretaria de Saúde. O pagamento foi confirmado no último dia do ano de 2018. A fatura, com timbre da Secretaria de Fazenda, é publicada abaixo, com exclusividade. No ano eleitoral, Ulisses ameaçou, por duas vezes, retirar a candidatura, alegando dificuldades financeiras para se manter na disputa pelo Governo do Estado. É, juntamente com Tião Bocalom, a maior expressão política do estado na atualidade, com pré-candidatura a prefeito de Rio Branco, em 2020, sendo costurada nos bastidores.

Ao Partido dos Trabalhadores interessava que o militar mantivesse acesa a terceira via, a sua candidatura de pé, a qualquer custo. Gladson Cameli, sempre liderando as pesquisas de opinião pública, não venceria no primeiro turno com Ulisses na parada. Era o que acreditavam os principais conselheiros políticos do então governador Tião Viana e da Frente Popular, que tentavam degustar números adversos e uma rejeição crescente ao candidato petista Marcus Alexandre. Não adiantou, embora o militar candidato tenha mantido um embate acalorado contra o governo da época. 

Por qual razão, então, o governo que deixou de pagar o décimo terceiro de mais da metade dos trabalhadores públicos, alegando falta de dinheiro, teria desembolsado R$ 1.1 para um prestador de serviço?

O que explica este privilégio (embora os recursos sejam obviamente merecidos pela VIP), deixando centenas de outros empresários com a fatura na mão, e até hoje sem receber?

Em outubro de 2018, o coronel passou, segundo ele, “três dias em meditação” após deixar de atender a imprensa e alguns correligionários. O sumiço alimentou boatos, amplamente rechaçados pelo próprio coronel, de que ele havia recebido recursos devidos pelo governo petista – algo em torno de R$ 5 milhões. Ele veio a público negar tudo, inclusive que tivesse negociado sua candidatura. “Vocês foram enganados por informações que não eram verdadeiras”, disse a jornalistas. “Só quem fala por mim sou eu mesmo. Em nenhum momento sai para negociar qualquer coisa. Cinco milhões, 100 milhões não compram nossa honra”, reagiu, quando, também, negou haver qualquer acordo para apoiar Cameli naquele instante.

O outro lado

Hoje, o coronel não estava de bom humor. “Fale com a Dayana. Eu sou servidor público. Você está doido?” Assim reagiu o coronel Ulisses Araújo ao ser procurado pelo jornalista Assem Neto, às 17: 20 desta quinta-feira. O militar desligou o telefone. Dayana Araújo é esposa de Ulisses e administradora da VIP. Ela pediu que a reportagem enviasse pelo Whatsapp a nota com empenho e pagamento, afirmando não se lembrar da fatura. Demorou alguns minutos e respondeu assim:

“Sinceramente, não tenho como te confirmar nada agora (por causa do horário). mas eu não reconheço esta nota. Nós não prestamos segurança armada para a Sesacre. Esses valores não estão corretos. O que temos a receber do governo referente a 2018 não é isso. Inclusive eu fui no Gabinete Civil hoje (quinta-feira) levando valores diferentes desse. Eu creio que esse documento não é válido”.

Dayana se disse disposta a periciar a nota, e acredita que a sua publicação poderia ajudar a desfazer mal entendidos. 

A empresária disse que faria contato com o acjornal durante esta sexta-feira, para maiores esclarecimentos. 

 

 

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