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quarta-feira, fevereiro 24, 2021

Maus tratos de animais, exploração de peões e mortes nos rodeios clandestinos do Acre

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No ano passado o Instituto médico legal de Rio Branco registrou duas mortes ocorridas em rodeios, considerados clandestinos, no Acre. A vítima mais conhecida foi o peão Nayf Isais, que morreu no hospital de urgência e emergência da capital acreana, 3 horas depois entrar em estado grave. Ele foi pisoteado por um touro ao cair de uma montaria no rodeio de Vista Alegre do Abunã, divisa de Rondônia com o Acre.

No outro caso de vítima fatal, também em rodeios clandestinos realizados com frequência no Acre, o peão também morreu horas depois em um hospital no interior, onde havia sido levado por um grupo de empresários de Rio Branco para participar das montarias.

No município de Sena Madureira, a 144 quilômetros de Rio Branco (AC), por pouco um salva vidas não morreu ao ser “espetado” na altura do peito direito pelo chifre de um boi.

O fato aconteceu em Agosto do ano passado, em uma arena improvisada no rancho JS, onde até hoje, todos os domingos, são realizados rodeios clandestinos com cobrança de ingresso ao público e mesa de apostas.

Segundo a Federação de Rodeios do Acre esse tipo de evento “ilegal” é muito comum no Estado e conta com apoio, muitas vezes, do próprio poder público

“O rodeio da expoacre do ano passado (2019) foi o exemplo mais claro da clandestinidade predominante em nosso esporte”, declarou Jesus Arruda ao Acjornal. “O governo não quis fazer parceria com a federação de rodeios para a realização do evento e foi contratar, sabe se lá por quais motivos, um radialista, amigo de gente poderosa, para realizar o rodeio”, continuou o presidente da federação.

Segundo Jesus Arruda a mesma irregularidade ocorre em algumas prefeituras que preferem contratar pessoas, individualmente, para realizarem os rodeios em suas festas comemorativas ao invés de procurarem a federação para parcerias nos eventos.

“A lei que rege o esporte de montaria no Brasil trata como clandestino qualquer rodeio que não seja realizado pela federação regional de rodeios”, esclarece Jesus Arruda.

Na opinião do peão de rodeios Abraão Cipriano, membro federalizado da entidade oficial dos rodeios brasileiros, a clandestinidade no Acre é impulsionada por dois fatores que vão de custo mais baixo cobrado pelos falsários dos rodeios e falta de fiscalização dos órgãos de controle.

“Geralmente os caras são amigos de alguém influente dentro das prefeituras, conseguem o contrato para a realização dos rodeios e não cumprem as obrigações estabelecidas por lei para a segurança dos peões e proteção de maus tratos aos animais”, denuncia o peão.

Entre as irregularidades constatadas nos rodeios clandestinos o peão apresentou a lista abaixo ao acjornal:

Falta de uma ambulância com equipe médica permanente no local durante as montarias; acondicionamento dos peões juntos com os touros bravos dentro do bleyt, debaixo do palco; montaria sem equipamentos de proteção individual, capacete e colete; não assinatura da carteira do atleta durante os dias que ele vai estar participando do rodeio; não contratação de seguro de vida para os peões que vão participar do evento; cobrança abusiva no valor da inscrição para o peão poder montar no rodeio.

Tudo isso são direitos trabalhistas concedido ao peão de rodeios nos moldes de um atleta profissional, conforme determina a lei brasileira. Sobre a lista de irregularidades cometidas aos animais nos rodeios clandestinos do Acre, o peão Abraão Cipriano enviou ao Acjornal o seguinte relato:

“O mesmo animal é submetido a mais de uma montaria por noite durante três, quatro dias seguidos de rodeio. A boiada fica presa em currais improvisados debaixo do palco sem se alimentar durante os dias do rodeio. Muitas vezes os animais passam até três dias sem beber água devido à não contratação de um cuidador. O animal é chicoteado depois da montaria para voltar ao curral. Sem fiscalização, é comum o peão querer alcançar melhores resultados utilizando espora pontiaguda para estocar o touro para ele pular mais.

As citações feitas por Abraão Cipriano fazem parte da lista proibida por lei em rodeios para proteção dos animais. Mas, segundo Abrão Cipriano esses cuidados não acontecem nos eventos clandestinos.

O presidente da Federação de Rodeios do Acre já fez um relatório sobre as práticas de maus tratos aos touros e explorações do Peões nos rodeios clandestinos do Acre e entregou ao ministério público.

“A gente espera que o MP baixe, pelo menos, uma portaria alertando as prefeituras sobre a lei do Rodeio Legal e acabar com a clandestinidade que coloca o peão em risco e maltrata os animais,.




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