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quinta-feira, fevereiro 25, 2021

Exclusivo: fuga de 26 faccionados do FOC foi tramada durante missão religiosa. “O barulho da oração abafava a escavação do buraco”

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O plano de fuga em massa no presídio Francisco de Oliveira Conde, neste mês, passou a ser colocado em prática durante a ação missionaria no pavilhão L, uma semana antes de tudo acontecer. Fugiram dali 26 detentos de alta periculosidade, ligados a uma facção criminosa.

“A participação nos cultos era opcional e cada vez que os agentes vinham buscar a gente, um de nós ficava na cela para escavar o buraco na parede”, confessou o presidiário Diego Oliveira Silva. “A orientação era que os participantes fizessem bastante barulho, aqueles gestos naturais de empolgação nos cultos, para ninguém ouvir a gente quebrando a parede”, disse.

As declarações de Diego Oliveira Silva foram feitas durante o trajeto do local onde ele foi capturado, na regional Floresta Sul, até a Delegacia de Flagrantes. Na Defla, ele foi  entregue pelos polícias que participaram da operação na última terça-feira, dia 21 de Janeiro.

Entre os policiais, estava a fonte do Acjornal que relatou à nossa reportagem os detalhes do diálogo do preso recém capturado dentro da viatura a caminho da delegacia.

“Ele estava com muito medo por cumprir pena por assassinato. Ele foi sentenciado por ter matado um agente penitenciário e naquele momento temia pela própria segurança. Ainda assim não se esquivou de conversar com a gente depois que demos a garantia de ele seria entregue na delegacia ileso”, disse o policial.

Diego Oliveira Silva teria informado, ainda, que boa parte dos detalhes do plano de fuga teria sido discutida entre os envolvidos, durante os eventos religiosos.

“Fazia parte da nossa estratégia aproveitar a aglomeração de presos para conversarmos, lá no fundo da sala onde acontecia os cultos. Até recebemos de outros irmãos pequenas ferramentas para a escavação do buraco na parede da cela”, revelou.

Quando perguntado se os missionários evangélicos sabiam do que estava acontecendo alí, ele teria feito gesto risonho de quem debochava de um evangélico e disse que não.

O pastor Arnaldo Barros, da igreja Geração Eleita, passou três dias em missão religiosa no pavilhão L, onde ocorreu a fuga em massa. Os evangélicos portavam celulares, livremente.

O tribunal de justiça do Acre já confirmou, através de sua assessoria de imprensa, que não concedeu autorização para a entrada e nem permanência do grupo missionário dentro do Presídio Francisco de Oliveira Conde.

Arnaldo Barros, pastor fundador da Igreja Geração Eleita, com cede no bairro São Francisco, periferia de Rio Branco, chegou a postar várias fotos, e até vídeos, em suas redes sociais. Ele parece sendo carregado nos braços ( veja AQUI), durante o encerramento da missão religiosa.

A euforia tomou conta dos detentos após, segundo o pastor, mais de cem almas terem aceitado Jesus e declarado abandonar a facção. Até a bandeira do Acre foi empunhada.

Segundo o pastor, a partir daquele dia estariam se desligando da organização para seguir a vida na igreja.

Pelo menos dois fugitivos aparecem nos vídeos se convertendo. São apontados como os chefões da facção dentro e fora do presídio.

Dias depois o site ac24horas exibiu reportagens gravadas dentro do pavilhão L (conhecido Chapão) sobre a estadia do pastor naquele local. Um cinegrafista foi autorizado a acompanhar a missão. Nesta sexta, o mesmo site deu uma manchete questionável, dizendo que a Segurança Pública havia descartado o envolvimento dos religiosos na fuga.

Eles estão na lista dos que fugiram da Unidade prisional através do buraco aberto na parede externa da cela e escalando a muralhas com cordas improvisadas feitas de lençóis.

As fotografias e os vídeos publicados na rede social seria a prova material de que os visitantes adentraram à unidade prisional portando aparelhos telefônicos e outros equipamentos proibidos pelas normais internas de segurança do local.

O diretor presidente do Instituto de Administração Penitenciária do Acre, Lucas Gomes, não tem atendido aos telefonemas do Acjornal.

É importante esclarecer quais critérios foram usados para autorizar a entrada de estranhos no presídio.

Estamos tentando contato com o pastor Arnaldo Barros




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