Cartel na Saúde: ex-diretor da Sesacre depõe por 4 horas na Polícia Federal

O ex-diretor administrativo e Financeiro da Secretaria de Saúde do Acre, Erisson Calixto, foi ouvido nesta quarta-feira na sede da Polícia Federal. Por cerca de quatro horas, Calixto respondeu perguntas do delegado que preside investigações diversas sobre uso indevido de recursos federais no setor.

A investigação tem apoio do governador Gladson Cameli, para quem o setor da Saúde tem sido atingido por um cartel formado por gestores públicos e empresas que forjam licitações desde as gestões passadas.

Na última semana, os federais fizeram buscas e apreensões na sede da Sesacre, em consequência de atitudes ilícitas do governo Tião Viana com a empresa Paz Ambiental, sediada em Vilhena (RO), contratada à época para coleta de lixo hospitalar em todas as unidades do estado. O contrato com esta empresa não foi renovado na gestão do governador Gladson Cameli.

Na semana passada, o deputado Fagner Calegário (PL) também levou nomes de gestores públicos que teriam subornado empresários locais. O esquema envolve pagamentos de propina de até 40% do valor supostamente devido pelo Estado.

A ordem dada por Cameli foi para eliminar qualquer rastro de corrupção desde que o novo governo assumiu o Acre. A PF quer saber se esta recomendação foi acatada ou descumprida.

Uma força tarefa composta por procuradores do Estado, instituída pelo governador ainda no ano passado, identificou contratos eivados de irregularidades. Gladson determinou a suspensão de empenhos e pagamentos suspeitos, reivindicados por empresas que não teriam prestado serviços de acordo com o determinado nos editais públicos.

O ex-diretor da Sesacre foi liberado para voltar ao trabalho após ser ouvido na PF.

Calixto foi exonerado do cargo no final do ano passado, nomeado para a Administração e Finanças da Secretaria de Educação, de onde foi exonerado também. Hoje, ele é comissionado na Secretaria de Tecnologia do Estado.