General Mourão promete mais empenho do governo federal na segurança das fronteiras

Dando continuidade às visitas aos estados da região amazônica, o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, cumpriu, pela primeira vez, agenda oficial no Acre nesta quarta-feira, 11. Durante reunião com o governador Gladson Cameli, o também presidente do recém-criado Conselho da Amazônia pode conhecer de perto a realidade acreana e suas principais demandas.

Durante entrevista coletiva à imprensa, Mourão esclareceu os principais assuntos debatidos com o governador Gladson Cameli. Segundo ele, os pontos levantados durante o encontro são pertinentes e contribuem diretamente para o desenvolvimento do estado em várias áreas.

As demandas apresentadas pelo governador Gladson Cameli são extremamente consistentes e abrangem desde a área de infraestrutura até a área de desenvolvimento social, passando pela Segurança Pública, Saúde, coordenação e controle de área hospitalar pagos pelo SUS e saúde indígena. São questões bem amplas, não temos condições de atender tudo e temos que selecionar as prioridades. Temos a questão da ponte sobre o rio Madeira, que é importante para a ligação do Acre com o restante do país e falta pouco para ser concluída. A questão da Segurança Pública e essa integração entre os esforços do governo federal está fazendo para que o governo do Acre se sinta com mais capacidade para solucionar os problemas que aqui existem”, explicou.

Questionado sobre a atuação do governo federal na fiscalização da faixa de fronteira com os demais países sul-americanos, Mourão reconheceu que falta efetivo necessário para coibir e combater a prática de crimes transfronteiriços. Em relação ao caso específico do Acre no que diz respeito à Segurança Pública, o vice-presidente afirmou que a cidade de Rio Branco pode ser incluída no programa Vigia, do Ministério da Justiça.

“A questão da fronteira vivenciada pelo Acre não é diferente do que a gente vive no resto do país. Temos quase 17 mil quilômetros de fronteira com dez países diferentes e temos como vizinhos três dos maiores produtores produtores de drogas, que são Colômbia, Peru e Bolívia. A droga é um flagelo do século 21, atinge a nossa juventude e em um momento em que há muita gente desempregada, acaba aparecendo como um negócio fácil”, argumentou.

O governador Gladson Cameli e sua equipe nos deixou muito claro o pleito de aumentar essa fiscalização, uma vez que a gente sabe que o efetivo da Polícia Federal, Receita Federal e da Polícia Rodoviária Federal não são suficientes. Vamos conversar com o ministro Sérgio Moro e vamos lembrar que já existe um projeto do Ministério da Justiça que está atuando em cinco cidades distintas. Sabemos que em Rio Branco existem áreas vulneráveis e que seria interessante um projeto dessa natureza chegasse aqui”, completou Mourão.

O vice-presidente elencou o ordenamento territorial como prioridade neste momento. Segundo ele, o restabelecimento da ordem e da paz social é necessário para a redução da violência e prática de delitos. Mourão defendeu ainda alternativas para o desenvolvimento do Acre, sobretudo investimentos que contribuam para a geração de emprego e renda.

“Vejo como extremamente importante a questão do ordenamento territorial. Se o ordenamento territorial não estiver concluído, ele causa a invasão de terra, o desmatamento, a queimada, facilita a criminalidade ambiental e é óbvio, que medidas que temos que trazer em investimentos, como buscar lá fora gente que tenha recursos e colocando aqui dentro esse recurso vai render benefícios para quem investir. [Temos que definir] se o Acre vai ser a porta para que nós cheguemos ao Pacífico e de forma mais rápida a gente atinja o mercado consumidor da Ásia, vamos tratar desse assunto e trazer quem quer facilitar essa ponte”, salientou.

Mourão disse ainda que todas as demandas apresentadas pelos governadores serão levadas ao conhecimento de vários ministros durante reunião do Conselho da Amazônia, no próximo dia 25 de março. Após a definição de prioridades, o vice-presidente levará ao conhecimento dos gestores o que é possível fazer em prol da região, assim como o estabelecimento de prazos.

“Vamos colocar para os ministros as metas e eles vão dizer para mim o que é possível fazer ou não. Após essa reunião, vou para os governadores dizer o que temos condições de avançar, chegar a um consenso e, a partir daí, nós temos que fazer e executar. Entre as nossas prioridades, temos que parar a sangria do desmatamento e da queimada. Temos também que avançar no desenvolvimento. Senão, os 25 milhões de pessoas que vivem na Amazônia vão continuar sentados numa terra rica, com uma biodiversidade enorme e morrendo de fome. Não podemos continuar assim.