Gladson descarta reeditar decreto e endossa reação coletiva de governadores à fala de Bolsonaro

O governador Gladson Cameli endossará a reação conjunta, de todos os chefes de estado brasileiros, ao presidente Jair Bolsonaro, que em pronunciamento em rede nacional de rádio e TV, na noite desta terça-feira, criticou o que chamou de “confinamento em massa” para o combate ao novo coronavírus no país, que já deixou 46 mortos no país. O Globo publicou a insatisfação generalizada dos governadores e, no Acre, Cameli reagiu rápido, horas após o infeliz discurso de Bolsonaro.

“O presidente fala pela por ele, mas pelo Governo do Acre falo eu”, disse o governador, que manterá a íntegra do decreto que estabelece regras de contenção ao Covid-19, fecha escolas, comércios, bares, etc, e determina quarentena aos pacientes suspeitos de terem contraído o vírus. “Mantenho minha posição até que me provem ao contrário com o aumento ou com a diminuição dos casos da gripe”, disse ele a um site local.

Cameli acompanhava a repercussão do pronunciamento num grupo privado de governadores. ” Eu tô observando aqui no grupo, que a maioria dos governadores estão indignados e com certeza vai ter sim uma nota dos governadores aqui da região. Eu só acho que cada um interpreta como quer, e eu prefiro focar no caso do Acre”, afirmou.

Logo depois das falas de Bolsonaro, chefes de Executivos trocaram mensagens pelo WhatsApp e decidiram manter restrições nos Estados como forma de conter o avanço da pandemia. Um deles sugeriu que, além de se manifestar pela manutenção das medidas, os governadores defendam o respeito à ciência e à vida, publicou O Globo.

Em vídeo publicado em suas redes sociais, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), afirmou que as declarações do presidente “contrariam as determinações da Organização Mundial da Saúde”:

— Nós continuaremos firmes, seguindo as orientações médicas, preservando vidas. Eu peço a você: por favor, fique em casa — disse Witzel.

O GLOBO apurou que o pronunciamento foi mal recebido, especialmente, pelos governadores do Sudeste, com quem Bolsonaro terá uma reunião por videoconferência nesta quarta-feira. A avaliação é a de que o presidente quis, de certo modo, provocar aqueles que hoje são considerados os seus dois principais rivais políticos: Witzel e João Doria (PSDB), de São Paulo.

Em mensagem gravada em vídeo, o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), afirmou que “seguirá a ciência” e cumprirá “todo o regramento”.

Sei que as pessoas, nesse momento, vão ter prejuízos de bens materiais, nos negócios, na renda, mas há algo em primeiro lugar: a vida. É a vida humana, sr. presidente. Nós estamos tratando da vida humana e, no Piauí, a vida tem valor. Nós vamos cuidar da vida humana, fazendo, inclusive, isolamento social onde for necessário — disse, Wellington.

Num recado direto aos governadores, Bolsonaro pediu a reabertura do comércio e das escolas e o fim do “confinamento em massa”. As ações têm sido utilizadas por grande parte dos Estados no combate à crise epidemiológica.

— Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, o fechamento de comércio e o confinamento em massa. O que se passa no mundo tem mostrado que o grupo de risco é o das pessoas acima de 60 anos. Então, por que fechar escolas? — questionou Bolsonaro.

Com informações O Globo