Advogada e ativista é a “bala de prata” do PSL na disputa pela Prefeitura de Plácido de Castro

Por Jorge Natal
O essencial é invisível aos olhos, ensinava aos filhos o advogado e depois juiz de Direito João da Cruz Santana em geral na hora do almoço, com os filhos à mesa. Era um ensinamento com base nas lições de Saint- Antoine de Saint-Exupéry, o autor do clássico “O Pequeno Príncipe”.
Naquele núcleo familiar estava uma menina baixinha, com cara de enjoada, mas com coração amoroso, em tudo parecida com o pai, até nos passos que seguiu na profissão de advogada, prestava atenção em tudo. Seu nome: Joana D’Arc, outro ícone da cultura francesa que João da Cruz Santana tanto admirava.

“Aqui os cidadãos estão acostumados a não ter nada, a não ser nada e a não esperar nada nem de governo federal e nem estadual. Fazem faculdade e não têm oportunidade na gestão ”

Talvez por cisco nos olhos daquela menina, já na maturidade, passou a enxergar o invisível. Pobres, idosos, negros, homossexuais, mulheres violentadas, crianças sexualmente abusadas, índios… Este universo de minorias ganhou olhar especial de Joana Darc Valente Santana, hoje com 56 anos, que se tornou, por isso mesmo, ativista Política humanitária evde Direitos Humanos.
Na década de 90, trabalhou no governo de Edmundo Pinto (in memorian), época que atuava na chefia do cerimonial e na assessoria técnica junto ao Dr. Omar Sabino de Paula. Após o trágico assassinato do jovem político, foi morar em Manaus (AM) e passou a advogar.

“Não existem bondades com as mulheres na política. Serei a primeira a ocupar esse cargo no município para ressignificar a história e a política com transparência e responsabilidade social

Após retornar ao Acre, atuou em causas polêmicas que lhe custaram ameaças de morte e perseguições políticas, principalmente de incautos ligados à gestão dos irmãos e ex- governadores Jorge e Tião Viana, que dominaram, com mãos de ferro, a política acreana por duas décadas. “Foram questões humanitárias cumprindo meu mister profissional e o juramento que fiz ao meu pai, em vida, que dedicaria metade de minhas atividades aos pobres e humildes”, destacou ela.

“Temos quase mil quilômetros de ramais praticamente inacessíveis,população de produtores rurais invisíveis, humilhados e excluídos”

Patriota na essência, Joana D’Arc vive na prática tudo que acredita, como versa o Hino Acreano, sem recuar, sem cair, sem temer. “O que me move é o amor. Amor pelo meu Acre e por nossa gente”, declarou a ativista, que tatuou a bandeira acreana no pulso. “Liderei nas redes sociais as lives que contribuíram para derrotar a familiocracia Viana. Considero que foi um gesto de cidadania”, comentou, justificando que cumpriu o seu papel social, a seu ver, indispensável à administração da justiça.
Acostumada a enfrentar causas nobres e difíceis, a ativista foi convidada pelo PSL para ser pré-candidata a prefeita por Plácido de Castro e Campinas,município que herdou o nome do maior herói acreano. “Aquela nossa região precisa ser novamente redescoberta com o significado histórico de soberania nacional na região de fronteira com a Bolívia ”, disse Joana D’Arc, deixando a entender que o Pacto Federativo em suas Ações de Verticalização das políticas públicas tanto do governo federal quanto estadual não chegam por aquelas paragens. Única mulher a disputar o cargo pela legenda, ela concedeu esta entrevista cujos principais trechos estão a seguir:

É possível conciliar ética e política?
Joana D’Arc – Não só é possível como necessário. Os valores estão invertidos ao ponto de a ética ser vista como uma virtude. E não é. Penso que ética deve ser uma valor permanente e inegociável na vida do indivíduo, não só do político, mas, sobretudo, porque ele está lidando com o que é público. Se os homens e as mulheres de bem não se manifestarem, os mal-intencionados irão tomar conta da política. A política só é realmente possível, e somente trará os resultados que se espera dela, se for protagonizada por homens e mulheres desapegadas do poder, com forte propósito de contribuição temporária no exercício de governar. Na nossa região a política sempre esteve muito mais próxima do “se servir” do que do “servir”. Somente com transparência nas contas públicas e através da cobrança, do olhar atento do cidadão, é que o político aprenderá a se comportar com ética na política. Ética é condição inerente à cada pessoa e,preferencialmente, é gratificante quando as outras pessoas é que reconhecem em você atitudes e vivências éticas.

Caso seja eleita, como a senhora pretende governar em tempos de crise?
Joana DArc – O parâmetro de conduta do gestor público é a lei: o art. 37 da Constituição Federal, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), a Lei 8.666 [Lei das Licitações e Contratos], entre outras, são mecanismos jurídicos e institucionais que dão base a uma gestão ética, eficiente e transparente. É preciso haver um diálogo permanente com toda a sociedade: a juventude, o homem do campo, associações de moradores, comerciantes,empresariado, instituições e todos os setores mobilizados. Idosos e hipossuficientes terão sempre prioridade em todos os nossos Projetos.Ouvidorias e Corregedorias serão criadas para dar eficiência à máquina pública à partir de uma maior presença dos cidadãos nas tomadas de decisão, e no controle dos gastos da prefeitura, bem como fazermos contratações por critérios técnicos, o que evitaria o empreguismo tão recorrente em nossa prefeitura. Além disso, precisamos fazer uma reforma administrativa que esteja em consonância com as tantas reformas havidas no governo federal e ministérios aonde buscaremos recursos via aprovação de projetos,manter um diálogo permanente com os mandatos eletivos e fomentar o turismo histórico.Aqui, infelizmente, temos problemas com a energia elétrica, o que não me permitiria falar sobre a instalação de indústrias, inclusive as agroindústrias. Eu preciso ouvir o setor produtivo e, a partir daí, montar um plano de ação conjuntamente unir nossas idéias à realidade nacional e estadual.

Como a senhora foi parar no interior?
Joana D’Arc – Eu sou uma advogada legalista e humanista. Sou a favor do cidadão, não importando qual a autoridade que estiver à minha frente. Sempre vou combater, até o meu último dia de vida, os pedófilos, pouco importando a classe social dele pobre ou rico porque a lei é pra punir a todos.Isso foi me tornando uma pessoa conhecida e profundamente respeitada com Figura Pública Tupiniquim.Se com todo o aparato judicial, assistencial e de proteção Rio Branco é um caos, eu ficava me perguntando como seria o interior. Quero fazer um pouco do eu fiz na capital. No início deste ano, como era uma nova realidade política que iríamos viver, eu vim para Plácido de Castro. Sempre quis fazer um trabalho numa região de fronteira. E aí apareceu o PSL na minha vida. Foi uma identificação imediata. As nossas bandeiras são praticamente iguais. Eu decidi trazer pra cá. Essa região ainda não foi descoberta nem pelo estado do Acre, quiçá pelo Brasil. Você já viu, numa cidade de fronteira, o delegado de polícia só aparecer quando bem entender? É humilhante o sagrado direito de ir e vir por essa Rodovia Estadual AC 40.Aqui não houve gestão eficiente nas últimas décadas pois é público e notório gestores condenados presos. Quero contar a verdadeira verdade real da história e redescobrir Plácido de Castro sob um olhar feminino,afinal,somos a maioria do eleitorado . Vou falar sobre a história do nosso herói e das terras da nossa fronteira que fazem do Acre uma história única no mundo.Isso vai acontecer sob dois aspectos: com o turismo histórico nacional e internacional. Ah, se tivermos êxito nas urnas, teremos que fazer uma auditagem completa em todas as secretarias municipais e contas da prefeitura.

Como está a sua pré-campanha?
Joana D’Arc – Dois mil e vinte é um ano completamente atípico em todos os sentidos. É sempre bom lembrar que aqui existem duas cidades: Plácido de Castro e o distrito de Vila Campinas, que são interligadas por uma rede de ramais. São quase 20 mil habitante e 160 casos da covid19. Eu sou do grupo de alto risco, pois tenho diabetes e hipertensão. Além do turismo histórico, a minha outra prioridade será o setor produtivo com ênfase às produtoras rurais atuando mais diretamente nas decisões que o setor produtivo requer,uma vez que, inverno e verão são uma realidade todos os anos,ano após ano,gestão e gestão,onde eles estão errando,faltou planejamento,faltou diálogo.Estou priorizando os ramais, as colônias e os seringais, inclusive visitando alguns eleitores que moram no lado boliviano. As recepções são maravilhosas. É ruim não poder abraçar ou apertadas as mãos das pessoas. Hoje eu tive uma reunião com os produtores de açaí. Serei a primeira mulher a ocupar esse cargo no município.

Quando o TRE autorizar o início da campanha, o que a senhora vai propor para tirar o município do atraso econômico e social?
Joana D’Arc – As pessoas não conhecem a realidade do seu próprio município. Estou ouvindo. A intervenção do poder público para melhorar a vidas das pessoas aqui é zero. Aqui não existe gestão. Os cidadãos estão acostumados a não ter nada , a não ser nada e a não esperar nada. Dois dezesseis itens que pode levar à inadimplência, o município está enquadrado em 14. Não existe portal de transparência nem dados algum sobre as contas públicas. Não posso levar esperança porque isso não existe. Estou levando dados, verdades e dividindo algumas responsabilidades com os eleitores. O que aconteceu para se chegar ao fundo do poço? Esses problemas são de responsabilidade de todos. O que Plácido de Castro está precisando é de uma auditoria. O que faz um gestor deixar o município chegar a essa situação? O que eu posso dizer para o setor produtivo, se entra e sai ano, e os ramais continuam do mesmo jeito, as pontes na iminência de desabarem e os caminhões sucateados? Não há como escoar o que foi produzido. Também não houve nenhum olhar do estado para o município.

Como a senhora avalia a saúde no município?
Joana D’Arc – Eu mandei fazer um levantamento e ainda não tenho os dados. Verticalizar todas as Ações do SUS já será um bom começo.O que tem no setor urbano, vamos melhorar. Não precisamos apenas de médicos, mas de todos os profissionais em saúde, ou seja, a atenção básica como um todo. Eu já andei e continuo andando na zona rural e lá não existe nada. Nem acesso. Como alguém vai trabalhar se não tem como se chegar ao trabalho. Vou levar cidadania onde nunca existiu, ainda que seja através dos serviços móveis de clínica geral, com dentistas, psicólogos e assistentes sociais. Temos quase 74 ramais e mais de 700 quilômetros de ramais praticamente incessíveis. Até para chegar se chegar à cidade, pela AC-40, é difícil. Só posso dizer uma coisa: iremos revolucionar e honrar a mulher na política. A minha eleição, se Deus quiser, irá estimular outras mulheres a participarem da política partidária. Na nossa chapa existem sete pré-candidatas. Não existem bondades com as mulheres na política.

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