Dipirona, vitaminas e seringas: 11 prefeituras do Acre pagaram por remédios básicos que nunca chegaram à população

Onze prefeituras investigadas na maior operação federal contra desvio de dinheiro público da saúde pagaram fornecedores que não entregaram medicações básicas que um cidadão precisa para uma simples dor de cabeça e outros sintomas comuns. Cefalexina, vitaminas e dipirona estão entre os ítens “comprados” mediante licitações dispensadas e não entregues no almoxarifado das prefeituras. Reagentes para testes corriqueiros e seringas descartáveis para coleta de sangue também estão na lista de insumos que nunca deram entrada nas unidades hospitalares, muito embora os fornecedores tenham recebido por isso.

Controladoria da União e Polícia Federal identificaram pagamentos suspeitos na ordem de R$ 70 milhões entre 2016 e 2019. Uma empresa cujo nome não foi revelado criou sub grupos empresariais para dominar licitações com o conhecimento de gestores públicos. Ao menos 50% (R$ 35 milhões) foram pagos indevidamente por meio de notas frias, entrega fictícia de medicamentos e insumos e superfaturamento de produtos.

Em coletiva remota, na manhã desta quarta-feira, a OGU confirmou que os pagamentos eram feitos por transferência bancária, mediante empenhos. Horas antes, a organização criminosa foi alvo de 85 buscas e apreensões. A operação envolveu 250 policiais federais, informou o delegado Luiz Carlos, chefe da Fiscalização da PF.

“Esta organização criminosa favoreceu o enriquecimento ilícito de gestores públicos e empresários do setor”, declarou o delegado. Além de documentos, os federais apreenderam uma quantidade não revelada em dinheiro nas prefeituras e nas residências de gestores públicos. “São apreensões que irão auxiliar no prosseguimento das investigações”, disse.

De acordo com a investigação, todo o esquema teve origem em Cruzeiro do Sul. A prefeitura local pagou R$ 950 mil em valores superfaturados sobre uma amostra de R$ 1.7 milhão. Ou seja, mais da metade dos recursos foram utilizados indevidamente.

“A finalidade não era o fornecimento de medicações essenciais saúde, mas sim o desvio de verbas públicas”, acrescentou a delegada Larissa Nascimento, de Combate

O grupo criminoso responde por corrupção ativa e passiva, lavagem de capitais, duplicada simulada, falsidade ideológica e dispensa ilegal de licitação.

“É o começo ou a continuidade de um trabalho sigiloso, que certamente terá desdobramentos”, pontuou a delegada superintendente da PF no Acre, Diana Calazans.

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