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quarta-feira, junho 16, 2021

Mãe relata violência contra filha e agressor remove página na Web: “ele está livre e não será punido”

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O relato abaixo está no perfil pessoal de Patrícia Miranda (veja AQUI), ativista de Direitos Humanos que viu sua filha ser agredida em via pública. Ela mostra a cara do agressor, um ex- servidor da Procuradoria Geral do Estado e funcionário público. Patrícia sente-se impotente diante da suspeita de que o criminoso não será punido. A reportagem não conseguiu localizar o acusado para ouvir a versão dele. Ao atualizar esta reportagem, o acjornal constatou que Oscar Frank havia removido seu perfil na rede social. Leia abaixo a carta aberta divulgada nesta segunda-feira:

CARTA ABERTA SOBRE A VIOLÊNCIA CONTRA MINHA FILHA

Envio esse relato no sentido de dar voz a dor de uma família. Exponho aqui uma agressão à minha filha e nesse momento de desespero, me sinto impotente por ver o agressor livre, podendo nos agredir novamente a qualquer momento.

Sou mulher, mãe, militante do “Movimento contra a violência da mulher”. Faço parte de um grupo nacional de mulheres que ajudam outras mulheres que foram vítimas de violência.

E hoje, meu relato é de uma mãe que viu sua filha ser vítima de uma violência covarde.

Primeiro quero relatar minha dor de mãe, que viu a filha ser agredida por um homem com chutes, murros tapas e pontapés. Homem que não tem qualquer relação afetiva com ela.

E me dói não ter conseguido fazer nada para defendê-la dessa violência, naquele momento em que ela estava jogada ao chão e levando chutes na cabeça. O meu sentimento é de revolta e de dor.

Segundo, quero relatar minha experiência de “vítima” do sistema de segurança pública do estado. Ligamos no Ciosp, e rapidamente chegou uma viatura ao local. Eles não deram importância se uma mulher foi agredida.

Isso ocorreu na madrugada de domingo, 7, meio noite e pouco. Fomos aconselhadas a irmos na segunda-feira procurar a delegacia da minha regional e fazer um boletim de ocorrência, apenas.

Mas, não sei se todos sabem que delegacia da mulher trabalha com crimes sexuais e violência doméstica, somente quando existe vínculo afetivo entre a vítima e o agressor, ou seja, se um homem qualquer resolver espancar uma mulher na rua, sem motivo algum, àquela delegacia não vai atender essa mulher.

Então, as mulheres que apanham por ser mulheres e mais frágeis fisicamente, obviamente, não têm amparo algum do poder público.

Mesmo assim, levei minha filha à delegacia de flagrantes e lá fizemos o primeiro boletim de ocorrência. Novamente falaram para ela ir na segunda-feira, na regional em que moramos, para fazer outro boletim de ocorrência.

Quero falar também da lei Maria da Penha, onde só protege mulheres vítimas de violência doméstica ou no seio familiar. Fora isso, nós mulheres estamos expostas a ser agredidas e o agressor sair impune.

Procurei a rede de mulheres do município e o CAV, que é o núcleo do MPAC, que ajuda mulheres nessa situação de violência. Lá me senti super acolhida e elas estão me dando todo o apoio.

O autor da agressão não tinha vínculo amoroso ou afetivo com minha filha. Mas, sabemos que ele é agressor de mulheres contumaz.

Minha filha não foi a primeira.

Eu queria muito que ela fosse a última vítima de agressão dele. Mas, o que eu posso fazer como mãe?

Lhes respondo: Nada!

Fiz dois boletins de ocorrência, tudo dentro dos trâmites legais. Mas, sabe como estou me sentindo? Impotente. Sabe o que vai acontecer com esse agressor? Nada!

Ele vai no máximo prestar serviços para o estado ou pagar cestas básicas. E os traumas que eu e ela sofremos por passar por essa situação, nós mesmo vamos ter que superar. O agressor trabalha para uma pessoa conhecida no meio político da nossa cidade, além do meio político é Procuradora.

O agressor trabalha para uma mulher.

Decidi expor o agressor para que todos saibam quem é ele. Eu quero justiça e proteção à vida da minha filha e à minha, já que nossas leis são brandas.

Minha filha não dormiu essa noite com dores na região pélvica e abdominal e nos seios onde levou chutes desse covarde!

Meu coração sangra, eu estou revoltada!

Não desejo à mãe nenhuma passar o que passei.
Minha filha está viva, graças a Deus, mas, quem vai garantir proteção à ela? E se esse agressor aparecer novamente? Eu desejo mudança nessas leis de violência contra mulher. Por conta de leis brandas tantas mulheres são morta por seus agressores.

Sou mulher, mãe e vítima dessa sociedade mentirosa, machista e corporativista.

Mas, creio que meus olhos verão a justiça! Vou lutar por isso até o fim!

Rio Branco, Acre, 8 de junho de 2020

Patrícia Miranda
Mãe e militante dos Direitos Humanos do Acre




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