Blog do Assem: as candidaturas laranjas do PSOL no Acre e a quem interessava o esquema

Candidatura “laranja” é o nome popular, dado pelos próprios partidos ao registro de candidatura cujo titular não tem intenção real de disputar ao cargo.

O nome do eventual candidato é apresentado ao Tribunal Regional Eleitoral simplesmente para preenchimento do número de vagas exigido por lei para cada partido.

Apesar de ser uma prática criminosa, esse tipo de manobra era algo aparentemente comum dentro da coligação Frente Popular do Acre, que governou o Estado nos últimos vinte anos.

O PSOL, alvo de operações da Policia Federal nesta terça-feira (30/06) era um dos dezessete partidos que por duas décadas formaram a coligação liderada pelo PT.

Um ex-militante da sigla reafirmou ao Acjornal que a intenção dos dirigentes na eleição passada era preencher os 30% de vagas destinadas a pessoas do sexo feminino com nomes de mulheres que não tinham a menor intenção de disputar do cargo de deputada.

“Dessa forma o partido atendia à exigência da lei eleitoral, subia na cota da verba pública para campanha partidária e ainda transformaria essas senhoras em cabo eleitoral de um único candidato do partido dando a ele volume humano de campanha suficiente para ser eleito”, revelou.

Apesar da Polícia Federal não citar nomes nesse momento das investigações, nossa fonte revelou que a candidatura prioritária do PSOL na eleição passada era a do ex-petista Cláudio Ezequiel, secretário na gestão Marcus Alexandre.

“Cláudio Ezequiel veio do PT, arquitetado pelo conselho político da coligação frente popular do Acre, para ser eleito pelo PSOL e, junto com sua turma, egressa do PC do B e do próprio PT, manteriam o PSOL submisso ao PT. Foi por isso que eu e outros correligionários saímos do PSOL naquela época”, revelou.

Uma das pessoas que migrou para o PSOL junto com Cláudio Ezequiel foi Franck Batista, assessor do então prefeito de Rio Branco e membro do Conselho Político da Frente Popular.

Franck Batista é o atual presidente do Diretório municipal do PSOL, que sofreu mandado de busca e apreensão em sua residência e foi levado coercitivamente para prestar depoimento no processo que investiga denúncia de candidatura laranjas.

Também foi um dos coordenadores da campanha derrotada à deputado estadual do ex-petista Cláudio Ezequiel, na eleição de 2018.

No coeficiente eleitoral da coligação faltaram votos para garantir a vaga dele.

Mas quando os demais candidatos da sigla tiveram que prestar contas dos gatos de campanhas, as mulheres que haviam emprestado os nomes para candidaturas “laranjas” descobriram que o partido havia declarado gastos exorbitantes no CNPJ de registro delas.

Três das supostas vítimas do esquema formalizaram denúncia crime contra o partido, alegando que nunca receberam um centavo da agremiação para custeio das despesas de campanha e ainda revelaram que a candidatura delas era “de mentirinha”.

Foi aberto um procedimento investigatório pela Polícia Federal que resultou nos mandados de busca e apreensões realizados no diretório do partido e na casa de alguns de seus dirigentes.

O ex-militante do PSOL, que confidenciou as informações para essa reportagem, disse ainda que muitos partidos estariam trabalhando a mesma estratégia fraudulenta de candidaturas “laranjas” para as próximas eleições.

“Quando a gente vê o anúncio de uma pré- candidatura sem expressividade competitiva à altura do cargo, fique atento que pode ser uma candidatura laranja só para o partido receber recurso financeiro do fundo partidário e a sigla dividir, de maneira uniforme, o valor das prestações de contas de campanha. É assim que eles maquia o crime de abuso de poder econômico praticado por seu único candidato tido como prioridade para ser eleito”.

E vem mais por aí.

Não durma

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