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domingo, setembro 27, 2020

Acreanos são presos por fraude no espolio do diplomata Afonso Arinos e de outros falecidos

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A Polícia Civil do Acre, por meio da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO) prendeu nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira, 7, duas pessoas (uma em Rio Branco e outra em Assis Brasil) acusadas de integrar um grupo criminoso que vinha fraudando documentos e recebendo dinheiro de forma indevida de contas do Banco do Brasil.
A operação, batizada de Faces da Liberdade, foi deflagrada após uma minuciosa investigação da Polícia Judiciária do estado de Rondônia que evidenciou a prática de crimes de peculato, falsificação de documento público, falsidade ideológica e associação criminosa.
Ainda de acordo com as investigações, a associação criminosa consistia em um conluio entre funcionários do Banco do Brasil e falsificadores, que juntos agiam para subtração de dinheiro depositado em cifras milionárias de pessoas falecidas, lesando, assim, o espólio e o patrimônio dos herdeiros.
O grupo agia de forma coordenada e tinha como principal meio de execução criminosa a falsificação de sentenças em processos de inventário e partilha, certidões e escrituras lavradas em cartórios extrajudiciais.
A ação realizada pela DRACO de Rondônia contou com o apoio da especializada acreana e foi executada nas cidades de Alta Floresta d’Oeste/RO, Ji-Paraná/RO, Rio Branco/AC e Assis Brasil/AC, além do apoio da Polícia Civil do Acre, as Delegacias Regionais de Rolim de Moura/RO e Ji-Paraná/RO também participaram da operação. Ao todo 16 mandados judiciais, sendo 08 de busca e apreensão e 08 prisões temporárias foram cumpridos durante a intervenção policial.
Na cidade de Assis Brasil, fronteira do Acre com o Peru a ação foi coordenada pelo delegado titular Judson Barros. Em Rio Branco a coordenação foi realizada pelo delegado titular da DRACO, Pedro Paulo Buzzolin.

O golpe
A dinâmica do bando criminoso foi descoberta durante as investigações e consistia na falsificação de sentenças em processos de inventário e partilha e certidões e escrituras lavradas em cartórios extrajudiciais. Segundo o que foi apurado pela polícia, os criminosos, em posse da documentação falsa, procuravam os empregados da agência bancária (que faziam parte da quadrilha) e faziam o saque das altas quantias. Os empregados, visando dar cobertura à ação dos falsificadores e mediante o recebimento de propina, deixavam de observar uma série de procedimentos de segurança do Banco do Brasil, aceitando a documentação como idônea.
Segundo o que foi divulgado pela Polícia Civil rondoniense, foi possível identificar, até o presente momento, a subtração de saldo bancário de três contas correntes de pessoas falecidas, cujo valor total do dinheiro subtraído é de R$ 9.502.389,27 (nove milhões, quinhentos e dois mil, trezentos e oitenta e nove reais e vinte e sete centavos). Entre os lesados está o espólio do conhecido diplomata, político, professor e escritor brasileiro Affonso Arinos de Mello Franco, falecido no dia 15 de março deste ano.
O nome da Operação remete a uma das grandes obras publicadas por Affonso Arinos quando em vida, chamada As Três Faces da Liberdade.




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