Exclusivo: quebrados os sigilos bancário e fiscal de Marcelo Moura, controlador da Recol no Acre; Avó, antes de morrer, negou ter recebido R$ 12 milhões

A juíza da 5ª Vara Cível da Comarca de Rio Branco, Olívia Maria Ribeiro, determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do empresário Marcello Moura, controlador do Grupo Recol. Todas as informações bancárias e fiscais da matriarca da família, dona Raimunda Alves, também devem ser abertas, segundo decidiu a magistrada.

As movimentações bancárias e fazendárias feitas por avó e neto que interessam ao Judiciário vão de fevereiro de 2016 a novembro de 2019. Raimunda faleceu há cerca de 30 dias e era detentora de cerca de 98% das cotas da Rolding, que abrange as seguintes empresas: TV Gazeta, afiliada da Rede Record; Supermercados Pague Pouco, Recol Farma, concessionárias Volkswagen, Yamaha e Ford;Recol Distribuidora, Distribuidora Acre Beer (Ambev); duas transportadoras de cargas.

Marcello Moura é réu em várias ações movidas por herdeiros do pai, o empresário falecido Roberto Alves Moura, pedindo o seu afastamento como controlador das empresas. O empresário é acusado tacitamente por desvio de patrimônio familiar.

Marcello teria sacado cerca de R$ 12,3 milhões do grupo, em dois anos.

O dinheiro, segundo ele, foi repassado á avó, a título de lucros merecidos. A idosa de 93 anos, antes de falecer, disse em juízo que nunca recebeu esse valor (confira ao lado). Dona Raimunda, aliás, ao ser ouvida, afirmou que recebia apenas R$ 20 mil ao mês, repasse que era usado para custear inclusive as medicações de uso pessoal.

A juíza destaca que o depoimento de dona Raimundo não foi gravado devido á sua saúde debilitada.

Chama atenção que boa parte dos saques que, segundo Marcello Moura, foram entregues á sua avó, ocorreram poucos dias antes de ela comparecer na sala da juíza para ser ouvida.

Os saques, muitos deles em espécie, ocorreriam em valores acima de R$ 200 mil, alguns na cidade de Porto Velho.

O pólo ativo da ação, composto por dois irmãos menores e dois maiores, estranha que saques desse valor sejam pouco comuns, ainda mais para uma pessoa com idade avançada e de pouca mobilidade (dona Raimunda era cadeirante).

Marcello teve ascensão empresarial meteórica com o falecimento do pai, passando a ser figura corriqueira nas redes sociais, em gestos de ostentação e esbanjamento.

Criou a empresa de publicidade PWS, que detém as contas de mídia da Assembléia Legislativa e da Câmara Municipal de Rio Branco e eventualmente a do Governo do Acre; e a MHE, iniciais de Marcello Henrique Esteves, que presta serviço ao Grupo Recol e é investigada por supostamente desviar recursos dos irmãos herdeiros.  Ambas as empresas, de acordo com a ação contra |Marcello, são beneficiadas com pagamentos milionários – e suspeitos – do grupo.

O empresário tenta anular a decisão da juíza ao interpor recursos no Pleno do Tribunal de Justiça do Acre. Porém, a situação dele só piorou com recente parecer do Ministério Público, por meio da promotora Rita de Cássia, favorável á quebra dos sigilos fiscal e bancário.

A desembargadora Eva Evangelista é a relatora do recurso, e deve se pronunciar nos próximos dias.

Aguardemos cenas dos próximos capítulos.

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