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segunda-feira, outubro 26, 2020

Bolsonaro recortou a realidade para defender atuação na pandemia e política ambiental

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O discurso do presidente Jair Bolsonaro na Assembleia Geral das Nações Unidas confirmou quais são hoje as duas principais pedras no sapato do governo brasileiro para deter um acelerado processo de deterioração da imagem do país perante a comunidade internacional: meio ambiente e pandemia. Mais da metade da fala de Bolsonaro foi destinada a tentar derrubar o que o chefe de Estado chamou de “brutal campanha de desinformação” sobre o que está acontecendo na Amazônia e no Pantanal. O problema é que para isso o presidente apelou para o mesmo recurso, afirmando, por exemplo, que o Brasil é líder em conservação de florestais tropicais. No ano passado, o país que mais desmatou florestas primárias no mundo foi o Brasil, concentrando mais de um terço de toda a perda de florestas tropicais úmidas.

O Brasil apresentado por Bolsonaro ao mundo só faz sentido para seus seguidores. Para observadores externos, confirmou-se o perfil de um governo negacionista, cujas ações e omissões podem causar graves problemas ao país. Quando o presidente afirma que na pandemia seu governo assistiu à família indígena, se esquece de mencionar o veto presidencial a 22 pontos importantes da lei que protegia justamente os indígenas.

 

Em relação a todos os brasileiros, disse que o Supremo Tribunal Federal (STF) deu aos estados a atribuição exclusiva das medidas de isolamento social e fechamento do comércio. Pois bem, esqueceu de falar que o STF não retirou dele a obrigação de coordenar com estados e municipios as ações de saúde e educação, e não meramente mandar recursos. Quando informa sobre as pesquisas no Brasil da vacina elaborada pela universidade de Oxford, evita declarar que “ninguém pode obrigar ninguém a se vacinar”. Quando assegura que não faltaram recursos nos hospitais, mente ao negar o que muitos médicos denunciaram nos últimos meses.

Especialistas asseguram que hoje a questão Meio Ambiente é o maior problema da política externa do governo Bolsonaro. Diante dessa afirmação, o presidente responde que o Brasil tem a melhor legislação ambiental do mundo. Diga-se de passagem, grande parte dela aprovada por impulso da ex-ministra Marina Silva. O que Bolsonaro não menciona é o que acontece apesar dessa legislação: agricultura predatória, incêndios intencionais e falta de fiscalização. E, ainda, joga sobre índios e caboclos a responsabilidade sobre a devastação ao leste da Amazônia. Esquece de mencionar a sabida, dentro e fora do Brasil, ação de madeireiros, que ganharam ao longo dos anos a companhia de pecuaristas que avançam sobre a região.

O negacionismo presidencial pode custar caro. Já corre sério risco a implementação do acordo entre Mercosul e União Europeia (UE), pela oposição de pesos pesados como França e Alemanha. A entrada para a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) ainda parece distante. A definição do Brasil como país “cristão e conservador”, escolhida para encerrar o discurso, constrói muros num mundo no qual o Brasil já é visto com enorme desconfiança.

O Globo




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