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quarta-feira, abril 14, 2021

Sertão acreano: seca castiga famílias da Floresta Estadual do Antimary, que caminham horas em busca de água

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Centenas de famílias de extrativistas e pequenos produtores rurais que habitam a Floresta Estadual do Antimary estão vivendo sem água potável. Se obrigam a beber, cozinhar, lavar roupas e até tomar banho com água considerada impróprio ao consumo humano.

A situação é mais grave na região do ramal do Ouro, na divisa dos municípios de Bujari e Sena Madureira, onde os poucos igarapés que existem estão secos.

Mulher dá banho em crianças após caminhar 3 quilômetros em busca de água

Mulheres, crianças e até idosos estão sendo obrigados a percorrerem quilômetros por dentro dos córregos vazios dos igarapés à procura de um poço – com água retida do inverno passado.

Na colônia de dona Franciele do Nascimento faz mais de dois meses que a vertente secou e o igarapé de médio porte, que passa à margem da mata também ficou vazio.

Aqui jazz um igarapé

A mulher e os filhos chegam a caminhar mais de três quilômetros, todos os dias, para encontrar água em um desses poços.

Um dos últimos poços por debaixo da floresta já dá sinais de que também não vai suportar por mais muitos dias a forte estiagem que castiga a região.

“Eu nasci, me criei e construí família aqui e nunca imaginei que um dia eu iria viver uma situação igual a essa que estamos passando em plena floresta Amazônia”, disse a mulher.

Moradora sai em busca de água

Nas regiões de pastagem a escassez de água se repete. Os açudes já aparentam o mesmo cenário.

O gado se sujeita a bebê lama para não morrer de sede.

As pessoas estão sendo obrigadas a beber água imprópria, garimpadas como se fossem ouro em pequenos buracos cavados no fundo do leito dos igarapés onde encontram vestígios de umidade no subsolo.

Tudo isso porque faz mais de quatro meses que não chove na parte baixa da floresta estadual do Antimary.

Açudes da região também estão secos

Segundo a meteorologista Ana Cleide Bezerra a forte estiagem que assola essa região da Amazônia deve-se a um fenômeno natural relacionado ao posicionamento da terra em relação ao Sol.

“O Sol no seu movimento aparente encontra-se deslocado para o Hemisfério Norte. Na região Norte do Brasil, essa estação é caracterizada pela diminuição de chuvas na porção central, Sul e leste amazônicos”, explica a especialista em um artigo publicado no site do Sistema de Proteção da Amazônia.

O Sipam já havia previsto que os meses de Julho, Agosto e Setembro seriam os mais secos do ano no Sul e Leste amazônico.

O órgão acredita que o volume de chuvas só deve voltar a cair satisfatoriamente nessas regiões, inclusive no Estado do Acre, a partir da segunda quinzena de outubro.




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