No menu items!
26 C
Rio Branco
quinta-feira, janeiro 21, 2021

Exclusivo: aniversário de Rio Branco em 28/12 é uma fraude e aquilo não é uma gameleira”, relata historiador

Últimas

Gabino (de chapéu, no centro) vistoriando a área do seringal da dona Isaura Parente

O historiador José Wilson Aguiar, cearense de nascimento e vivendo no Acre desde 1986, formado pela UFAC, diz ter provas de que a data de fundação de Rio Branco (28 de dezembro de 1882) foi forjada. Ele põe o coronel Neutel Maia como mero coadjuvante na história que o trata como desbravador das terras onde hoje conhece-se como capital dos acreanos.

Documento? Provas? somente José Wilson os tem, resultado de longos 40 anos estudando a história do Acre. “Tá tudo registrado em cartório”, diz ele. “Tenho todos os jornais da época (principalmente das décadas de 60 e 70) e registros que muitos imaginam não existir. E quem aportou ali foi o general Gabino Suzano de Araújo Besouro, em 13 de julho de 1909, vindo da cidade de Aracati, aos 21 anos de idade, trazido por Felismino Alves dos santos, dono do Seringal Pombal, onde mais tarde se tornou município de Porto Acre”, relata o historiador. A diferença entre as datas é de três anos.

O navio da companhia amazonenses Empreza chega no Porto da Base

José Wilson, de 58 anos, que foi repórter no Jornal O Rio Branco, diz possuir os contratos de compra e venda das terras, devidamente registradas, inclusive os documentos que selam acordos financeiros entre União e os grandes latifundiários da época, para que a cidade aumentasse de tamanho. Esses ex-seringalistas hoje emprestam seus nomes para ruas e logradouros públicos, como Vila Ivonete,  Abraão Alab, Omar Sabino de Paula e Antônio da Rocha Viana, Floresta, Bosque, Sobral e outros.

O Centro da cidade, onde está o Palácio Rio Branco, eram terras da seringalista Izaura Parente, relata o historiador. “Aquela mata densa, vista do meio do rio, medindo 19 milhões, seiscentos e oitenta metros quadrados, viria a se chamar Penápolis, em homenagem póstuma ao presidente da República, Afonso Pena, e, mais tarde, Rio Branco, por decisão do então prefeito departamental, o próprio general Gabino”. A área foi comprada pelo Governo Federal.

Diz o historiador, ainda, que uma das primeiras mulher a chegar por aqui foi Maria de Nazare dos santos, mulher de Gabino, que costurou à mão a primeira bandeira do Acre, hoje exposta no museu do Palácio do governo.

Em audiência pública que deu origem ao projeto que derrubou por um tempo a data de 28-12, o então governador Jorge Kalume admitiu ter havido um consenso que não foi embasado em fatos reais. Esse entendimento, que o historiador José Wilson questiona há várias décadas, teve o aval do servidor federal Mustafa Ribeiro de Almeida, chefe de um pequeno escritório público que mais tarde se tornaria o que conhece-se hoje por IBGE – Instituto Nacional de Geografia e Estatística.

“O Kalume foi governo em pleno Regime Militar. Nada se comemorava naquele período. Essa história foi inventada para criar um tal centenário que homenagearia o Neutel Maia. Até tombara a árvore equivocadamente, como se fora uma gameleira”, conta. Ele(Kalume) era apaixonado por história). Morreu meu amigo, e jamais nos indispomos por causa disso”.

Ele aponta controvérsia ao primeiro nome dado á terras (Seringal Empreza). “Em 1881,  Empreza era o nome da companhia de navegação que explorava o Sul do Amazonas

“Quem inventou essa estória (niver de Rio Branco em 28-12) foi o seu Mustafa  e um dia levei ele na Câmara e ele mesmo disse que foi ele à pedido do governador Kalume que inventaram isso. Resultado, provei por fotos por mim trazidas do Rio de Janeiro, tenho relatórios, documentos da compra da área da dona das terras, a dona Isaura Parente, enfim, matérias de jornais da década de 1910, 1920, 1930, 1940, 1950, 1960, 1970 e 1980. Todos os anos era comemorada a fundação da cidade. Está aí a mentira cometida contra nossa cidade, mas vou convencer todos os vereadores da verdade. Na realidade meu conterrâneo Neutel Maia chegou nas proximidades da curva do Rio Acre em janeiro de 1881 trazido pelo seu Felismino”, diz.

No início da década de 90, a Câmara Municipal de Rio Branco pôs em votação o projeto que corrige a data. De fato, venceram os argumentos do historiador José Wilson, num elástico placar de 17×1, apoiado pelo presidente à época, o vereador Pedrinho Oliveira. O prefeito Mauri Sérgio (PMDB) sancionou a lei.

A então vereadora Perpétua Almeida (PCdoB) foi a única a votar contra – talvez pelo fato de ela fazer aniversário, também, em 28 de dezembro e barganhar politicamente com esta coincidência questionável. “Eu era recém desfiliado do PT e desde então não conversei mais com a Perpétua”, lembra Wilson. “Por birra”, o prefeito Raimundo Angelim (PT) decidiu voltar  a data polêmica, influenciado pelo grupo de petistas que lhe apoiava no parlamento.

“Aponte-me uma prova de que o Neutel Maia fundou Rio Branco”, desafia o historiador.

O relato de José Wilson está no livro “O Juruá Federal”, de 1934, escrito pelo governador do então Território do Acre entre 21 de setembro de 1934 a 10 de fevereiro de 1935, o também historiador José Maria Castelo Branco. Há apenas dois exemplados desse livro, um deles exposto no Instituto Geográfico do Brasil, no Rio de Janeiro, e o outro em lugar não sabido.

O historiador José Wilson pesquisou a História do Acre por 40 anos

O HISTORIADOR FOI QUEM CRIOU OS BRASÕES E AS BASNDEIRAS DE 11 MUNICÍPIOS ACREANOS. GRAVOU OS HINOS DE TODOS ELES, APÓS TRAZER AS PARTIYURAS DO RIO DE JANEIRO.  CONTRIBUIU NO TEXTO DA LEI DO HINO ACREANO. ELE CONTA QUE LHE FOI OFERTADO UM PEDAÇO DA COSTELA E COTOVELO DE PLÁCIDO DE CASTRO, RESULTADO DETIROS QUE O ATINGIRAM DURANTE O ASSASSINATO DO CHEFE DA REVOLUÇÃO ACREANA. A OSSADA É GUARDADADENTRO DE UMA URNA, QUE ELE DOOU AO COMANDO DA POLÍCIA MILITAR DO ACRE. OUTRA RELÍQUIA DE SEU ACERVO PESSOALÉ A IMAGEM DA BANDEIRA ACREANA DE CABEÇA PARA BAIXO, UM GESTO AUTORITÁRIO DE PLÁCIDO, AO SABER QUE O ENTÃO PRESIDENTE DA REPÚBLICA, RODRIGUES ALVES, ENVIARA GABINO PARA SUCEDÊ-LO COMO PREFEITO DEPARTAMENTAL DO ALTO ACRE.

“Me encheram o saco querendo esta lembrança que ganhei de um bisneto do Plácido de Castro. Fiz a doação à PM para que eu tivesse paz”, relata.

As fotos que ilustram essa reportagem são do acerto pessoa do historiador José Wilson. Numa delas se vê Gabino vistoriando a topografia da área onde foi construído o Palácio Rio Branco. Noutras Neutel Maia acompanha o grupo de cearense que aportou à margem do rio, composto, dentre outros, pelo pai, primo e tio do ex-prefeito Isnard Leite.

Sobre Gabino Besouro

Assumiu o Departamento do Alto Acre em 18 de janeiro de 1908, lá permanecendo até 14 de novembro de 1909, entretanto seu ato de destituição foi assinado somente em 31 de março de 1910.

A sede do Departamento ficava na então Vila Rio Branco, na margem direita do Rio Acre e sua condição de capital vinha sendo questionada, havendo várias tentativas de mudança da sede departamental.

Gabino Besouro, em 1909, tentou resolver o problema ao seu modo e desapropriou uma parte das terras do Seringal Empresa, situado à margem esquerda do Rio Acre e situada em frente à Rio Branco.

Chegada de Gabino Besouro ao Alto Acre em 18 de janeiro de 1908

Definiu um novo arruamento para Rio Branco, começando na margem do rio, e nas terras altas da margem esquerda fundou Penapólis, uma nova cidade em homenagem ao presidente Afonso Pena, e a definiu como a nova sede da Prefeitura Departamental do Alto Acre.

Entretanto, as atividades econômicas e sociais de Rio Branco terminaram por se impor e em pouco tempo houve a unificação em uma só cidade. Penápolis passou a ser mais um bairro da capital Rio Branco, que ocupava a partir de então ambas as margens do rio.

 

 

 




- Advertisement -

Mais notícias

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui