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segunda-feira, abril 12, 2021

Carmem Bastos, cruzeirense, a primeira engenheira civil acreana presidente do CREA/AC 

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Ela é acreana, nascida em Cruzeiro do Sul, mas mudou para o Rio de janeiro ainda na juventude. Formada em Engenharia Civil pela Faculdade Veiga de Almeida, pós graduou-se  em Auditoria, Avaliações e Perícia de Engenharia e também possui MBA em Gestão Pública. Seu nome é Carmem Bastos Nardino, de 59 anos, a primeira engenheira civil da taba a assumir a presidência da entidade.
De volta ao Acre na década de 90, ingressou por concurso público no Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb). Atuou no setor de saneamento por 22 anos, exercendo diversos cargos. Iniciou como gerente técnica, depois foi diretora técnica e alcançou o cargo de diretora-presidente da autarquia. “Lá tive a oportunidade de participar de grandes projetos de ampliação e melhorias do sistema de abastecimento de água e de esgotamento sanitário”, lembrou a engenheira, que também exerceu o cargo de diretora de fiscalização de obras e urbanismo de Rio Branco.
Carmem também fez parte das comissões municipais de revisão do Plano Diretor Urbano e do Código de Obras e Código de Postura. No sistema profissional, exerceu dois mandatos de diretora-geral da Mútua-AC e o cargo de coordenadora das Caixas Norte.  Foi ainda conselheira regional do Crea-AC, onde atuou em vários cargos importantes como diretora-administrativa, vice-presidente, coordenadora-adjunta de câmara, membro da comissão de ética, além de coordenadora-adjunta dos congressos de profissionais.
É com esse currículo e essa trajetória que a engenheira assumiu, no final do ano,
a presidência da entidade. “O trabalho desenvolvido me trouxe experiência e conhecimento dos pontos que precisam ser melhorados. Comprometo-me em aproximar o Conselho dos nossos profissionais, tornando a nossa entidade mais acolhedora, participativa, com mais transparência, modernidade e principalmente mais agilidade nos serviços prestados aos profissionais, empresas e sociedade”, assegurou Nardino.
Um dia após a sua posse, na sala de sua casa, no Residencial Ipê, ela nos concedeu esta entrevista. Veja os principais trechos:
AC Jornal – Qual a importância de se trabalhar a equidade de gênero, principalmente no Sistema Confea/Crea/Mútua, que é composto em sua grande parte por homens?
Carmem Nardino – No momento em que a sociedade reconhece que precisamos reverter os números desfavoráveis às mulheres no mercado de trabalho, se apresenta não só como de suma importância trabalhar essa equidade de gênero, mas também uma grande oportunidade de participar dessa mudança em nosso sistema profissional, que é composto em sua grande parte por homens.
 AC Jornal – Neste triênio à frente do Crea-AC, quais os principais desafios já mapeados que demandam esforço e atuação? Eles constam da agenda de prioridades? como serão tratados e quais resultados positivos irão gerar?
Carmem Nardino – A construção de um Conselho mais próximo dos profissionais é a idealização de um projeto que queremos realizar nos próximos três anos e, por isso, muitos são os desafios. Um deles, que considero ser a maior demanda, é tornar a fiscalização estratégica no combate ao exercício leigo e não ético da profissão, resgatando o caráter mais educativo, com ações preventivas e orientativas, fazendo com que o conselho amplie o número de Anotações de Responsabilidades Técnicas (ART). Para isso, vamos fortalecer a atuação das câmaras especializadas na elaboração dos planos e diretrizes estratégicas da fiscalização, e também buscar uma maior eficiência da gerencia de fiscalização mediante ações de fortalecimento da sua equipe, capacitada, estruturada e otimizada. A parceria com as entidades de classe e com as instituições de ensino é outra prioridade, já que elas representam os profissionais no plenário do Crea pelos seus conselheiros e atuam juntamente com o conselho zelando pela ética profissional, cuidando dos interesses dos profissionais e defendendo a sociedade. Através dessas parcerias vamos promover a participação e o envolvimento dos profissionais nos debates de temas de interesse das profissões e da sociedade e também realizar cursos em diferentes áreas, preparando os profissionais para os novos desafios do mercado de trabalho. O recém-formado, que está ingressando no sistema profissional, também necessita de orientação no início de sua carreira. Vamos fortalecer o Programa Crea-JR,  que é a inserção dos universitários da área da Engenharia para ter o conhecimento do que são as instituições que fazem parte o Conselho, aproximando-nos dos estudantes. Também vamos apoiar e incentivar o desenvolvimento de projetos que contribuam com a ampliação do mercado de trabalho. Vamos incorporar novas tecnologias e ferramentas de trabalho, identificando e eliminando burocracias desnecessárias, simplificando processos, reduzindo prazos e facilitando o acesso aos serviços. Também vamos promover a capacitação continuada dos servidores, dos nossos conselheiros e inspetores para que desempenhem seus papéis com segurança e qualidade. Manteremos um canal de diálogo para melhorar a comunicação com o profissional. Também vamos estar mais próximo da população, por meio de uma comunicação mais efetiva sobre o papel da nossa instituição, que é uma referência na defesa da sociedade.
AC Jornal – A senhora acredita que o Sistema demanda uma readequação de seus procedimentos? Por quê? Se sim, qual tipo de reestruturação é necessária?
Carmem Nardino – Vejo sim a necessidade de readequação de seus procedimentos, de revisão dos seus normativos, de adotar as medidas para uma maior transparência, e também de empreender mais agilidade na gestão incorporando novas tecnologias e ferramentas de trabalho. Outro ponto importante é a implantação definitiva da ART Nacional, que vai permitir a padronização e a integração do banco de dados dos profissionais. Padronizar as regras, definindo parâmetros para a concessão de atribuições também é extremamente necessária. Os procedimentos e estratégias voltadas para a valorização das profissões e dos profissionais também precisam ser inovados para que a engenharia ocupe de fato lugar central na retomado do desenvolvimento do país. Nesse contexto, vamos fortalecer as parcerias com as instituições de ensino, empresas e entidades ligadas ao sistema para a valorização profissional. Através dessas parcerias vamos também promover a participação e o envolvimento dos profissionais nos debates de temas de interesse das profissões e da sociedade, como formação, EAD, exercício ético das profissões, fiscalização, mercado de trabalho, valorização das profissões, atribuição profissional e outros.
AC Jornal – A senhora acredita que a integração dos Creas dentro da região geográfica e de forma nacional é importante? Dos pontos de vista institucional e político, quais seriam caminhos possíveis? Quais vantagens esse movimento pode gerar para o Sistema e para os profissionais do setor?
Carmem Nardino – Acredito que a integração envolvendo Creas da mesma área geográfica possibilitará um melhor entendimento das dificuldades enfrentadas pelas instituições e facilitará a uniformização de atuação e conduta. Considero que sim, uma vez que essa integração trás um melhor conhecimento das dificuldades enfrentadas pelos regionais, além de promover a troca de experiência e a cooperação entre os Creas, bem como permitir a adoção de medidas padronizadas, contribuindo para a melhoria da qualidade dos serviços prestados. Do ponto de vista institucional e político, é possível trabalhar o planejamento estratégico do sistema Confea/Crea/Mutua de forma regionalizada, que demandam iniciativas específicas, buscando uma melhor distribuição dos recursos, contribuindo para a redução das desigualdades entre os conselhos. Citamos ainda aqui a possibilidade de planejamento das ações de fiscalização regionalizada, de acordo com as necessidades e potencialidades locais, como também propor a celebração de convênios de cooperação técnica entre os Creas para o aperfeiçoamento dessas ações de fiscalização, por exemplo. Através de ações regionalizadas, é possível também o compartilhamento de dados e de informações técnicas relativas aos mais diversos temas. Entre as vantagens para o sistema está a oportunidade de maior assertividade nas ações estratégicas do sistema.
AC Jornal – Muito se fala na responsabilidade e habilidades dos profissionais registrados no Sistema como contribuições diretas para o desenvolvimento do Brasil e para a implantação de políticas públicas que levem à retomada do crescimento nacional. Qual é a opinião da senhora sobre isso?
Carmem Nardino – É evidente que a engenharia é determinante para o desenvolvimento e o progresso de qualquer país. No Brasil não é diferente. Neste contexto, e ainda levando em consideração as várias modalidades e áreas de atuação desses profissionais, é preciso ter em mente que o mercado de trabalho atual exige desses profissionais outras habilidades tais como: proatividade, senso crítico, trabalho em equipe, vontade de inovar, entre outras. De modo que essa questão é remetida para o processo de formação desses profissionais. Quais as exigências, os conhecimentos, habilidade e competências necessárias? Nesse sentido, fica evidente a preocupação com temas relacionados à formação profissional e com a necessidade de se discutir o modelo atual de ensino da engenharia, as diretrizes curriculares dos cursos de graduação e a carga horária mínima desses cursos, inclusive combatendo a excessiva criação de novos cursos. Esse assunto precisa entrar na pauta de debate entre o sistema Confea/Crea, as instituições de ensino e as entidades de classe, para que se chegue a um consenso que correspondam às reais necessidades do país.




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