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domingo, fevereiro 28, 2021

“Para retomar o crescimento econômico, Acrelândia precisa sair do caos político”, diz prefeito Olavinho

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Com acessos pela BR 364 e Estrada do Agricultor, distante 110 quilômetros de Rio Branco, Acrelândia é uma cidade bem planejada e com seus espaços bem organizados. O município surgiu do Projeto de Colonização Redenção l, criado pelo governo estadual nos anos setenta. Ali foram assentados agricultores que trabalhavam como arrendatários, no Mato Grosso e Paraná, e outras famílias que foram atingidas pela barragem da Usina Hidrelétrica de Itaipu.

É o único município acreano onde o agronegócio é consolidado, destacando-se as culturas do café, da banana, do arroz, milho, a fruticultura de um modo geral, além da pecuária de corte e a leiteira. A região já foi uma grande exportadora desses produtos, elevando, inclusive, a qualidade de vida de seus moradores, além do natural sossego de cidade do interior.
Mas o que aconteceu com aquela próspera localidade e sua gente? “O único legado deixado pelos políticos foi a perseguição àqueles que produziam. Nos últimos 15 anos, tivemos sete prefeitos, muitos desmandos e corrupção”, disse um antigo morador, que pediu para não ser identificado, acrescentando que os governos petistas impediram o desenvolvimento com leis ambientais “perversas”, além do aumento nas alíquotas dos impostos que inibiram as exportações do município.

“Seremos uma administração honesta e transparente”

Um dos moradores que acompanhou esse apogeu e queda é o produtor rural Olavo Francelino de Resende, de 51 anos, popularmente conhecido por Olavinho Boiadeiro. Natural do estado de São Paulo, com estadas em Mato Grosso e nos EUA, ele chegou ao Acre em 2004. Depois de obter uma expressiva votação para deputado estadual em 2018, elegeu-se prefeito com 38,52% dos votos. “A politicagem, os vícios e desmandos deram a tônica nas últimas décadas”, assim analisa ele, afirmando que vai quebrar paradigmas e retomar o crescimento econômico.

“Precisamos resolver onze pendências que deixaram a prefeitura inadimplente”

Devidamente precavido, inclusive usando máscara e álcool em gel nas mãos, o prefeito, acompanhado de assessores, veio a Rio Branco e concedeu com exclusividade esta entrevista. Veja os principais trechos:

AC Jornal – Quem é o Olavinho Boiadeiro?
Olavinho – Eu nasci em São Paulo, vim ainda criança para o Mato Grosso, mais precisamente em Figueirópolis. Sou técnico em Contabilidade e, aos 20 anos, me tornei gerente de um laticínio com capacidade de processar 200 mil litros leite dia. Após o Plano Collor, no início dos anos 90, mudei de atividade e passei trabalhar em fazendas. Na década de 2.000, fui para os Estados Unidos e fiquei por lá por quase cinco anos. Na volta, comprei a minha primeira terra em Acrelândia. Depois de me radicar no município, participo ativamente de trabalhos sociais nos leilões do Hospital do Amor. Sou casado e católico praticante, gosto de pregar a verdade e luto para exercer a minha cidadania plena.

AC Jornal – O que o senhor fez nesses primeiros dias? Quais são as prioridades?
Olavinho – A nossa primeira ação foi acabar com todo tipo de desperdício: servidores que recebiam sem trabalhar, combustíveis que eram gastos inapropriadamente, dentre outros desmandos. Nós recebemos a cidade praticamente abandonada, uma vez que temos problemas com a limpeza, conversação de ramais, na saúde e educação. Hoje, estamos enfrentando dificuldades porque deixaram o caixa da prefeitura limpo, ou seja, fizeram tudo para dificultar a nossa vida.

AC Jornal – O que o senhor pretende fazer para retomar o crescimento econômico e melhorar a vida dos munícipes?
Olavinho – A grande aposta em Acrelândia é a agricultura e a pecuária e, consequentemente, o processamento dos produtos oriundos desses setores. Já fomos o segundo município que mais consumia energia industrial. Vamos fortalecer a produção rural e tentar trazer indústrias para gerar renda e emprego. Como podemos fazer isso? Isentando impostos e ajudando nas instalações dessas empresas. A nossa intenção é industrializar tudo que a gente produz, ou seja, estamos falando em agroindústrias do café, da banana, da mandioca e da fruticultura de um modo geral. Hoje nós temos um laticínio que produz queijo, duas olarias que produzem tijolos para todo o Acre, frigoríficos, indústrias de beneficiamento de café e de cachaça.

AC Jornal – Como está a situação financeira e fiscal da prefeitura?
Olavinho – A situação da prefeitura não é boa. Fizeram uma bela maquiagem, mas na primeira chuva caiu tudo. Temos onze itens negativados no Calc (instrumento usado para aferir a situação fiscal-financeira das prefeituras). Se não fosse um decreto do governo federal, a prefeitura não teria condições de receber recursos. Nós criamos um programa integrado, o Conselho Municipal Fiscalizador Participativo (Confipa), que são ações envolvendo os órgãos de controle e outras entidades, como a Polícia Federal, para estabelecer critérios de gastos, transparência e participação da sociedade. Entre todos os municípios acreanos, somos pioneiro nesse área. Seremos uma administração honesta e transparente.

AC Jornal – Qual é a sua relação com o governador Gladson Cameli?

Olavinho – Temos uma relação boa. Ele já nos recebeu e foi muito atencioso.

AC Jornal – Como o senhor está enfrentando a pandemia?
Olavinho – Esse é um dos nossos maiores problemas. Todo o dinheiro que veio para a pandemia foi gasto de qualquer jeito. E não fizeram praticamente nada. Brincaram com a pandemia. Para piorar a situação, fizeram um orçamento sem nenhuma previsão para gastos com a Covid-19.

AC Jornal – O senhor tem algum projeto para a área ambiental?
Olavinho – Acrelândia fica numa região alta cujo entorno ficam cinco nascentes d’água, que estão praticamente abandonadas. Temos um projeto para revitalizar aqueles mananciais.

AC Jornal – O senhor tem alguma coisa para destacar nessas três semanas de administração?

Olavinho – Dez dias antes de assumirmos, deu um temporal que derrubou mais 30 pontes e arrebentou vários bueros. Já recuperamos mais de 20, mesmo com apenas uma máquina e um caminhão. O maquinário da prefeitura precisa ser recuperado. Isso está sendo uma prioridade porque iria afetar o escoamento da produção, uma vez que temos, aproximadamente, cerca de 1.300 quilômetros de ramais.




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