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sábado, maio 15, 2021

No AC, aposentadorias somaram, em janeiro, R$ 130 milhões, ou 28% mais que o FPM. É o que garante sobrevida aos idosos

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Os repasses das aposentadorias da previdência estão garantindo a sobrevivência dos idosos e do comércio em todo o estado do Acre. Só no mês de janeiro desse ano, os benefícios previdenciários injetaram nos municípios mais de R$ 130 milhões, no pagamento de 99.347 aposentadorias. Esse valor é maior 28% que o FPM – o Fundo de Participação dos Municípios, feito a cada mês pelo governo federal às 22 prefeituras acreanas. Em janeiro o FPM foi de R$ 36,4 milhões.

Os comerciantes dos municípios ficam esperando as datas de pagamento das aposentadorias porque é nesse período que eles conseguem vender um pouco mais.
A Marizete da Costa, no dia de pagamento, acorda cedo para buscar o dinheiro da aposentadoria. Ela mora no município do Bujari, e enfrentou o risco de contrair a Covid 19 para entrar em uma fila na casa lotérica da cidade, onde resgata o benefício. O marido também é aposentado. É esse dinheiro que mantém a família.

“A gente corre para pegar e já gasta no comércio. Eles ficam esperando a gente. Tudo que pegamos gastamos aqui mesmo”, explicou.

No Bujari, cidade da dona Marizete, o repasse para pagar as aposentadorias em janeiro chegou a R$ 911 mil. O FPM foi de R$ 496 mil, ou seja, 45% a menos que o dinheiro dos idosos.

Em alguns municípios como Assis Brasil esse percentual é bem maior. O valor do FPM é 85% menor que as aposentadorias. Veja em valores:

Em janeiro os benefícios somaram R$ 11 milhões e FPM, R$ 192 mil. Já Rio Branco conta com 46 mil pessoas recebendo os benefícios da previdência. Em janeiro essas aposentadorias jogaram no mercado quase R$ 66 milhões, três vezes mais que o FPM do mesmo período que foi de R$ 23 milhões.
A maioria dos aposentados recebe apenas um salário mínimo. Os soldados da borracha conseguem um pouco mais: dois salários.

Para quem recebe apenas R$ 1.100,00 por mês, valor do benefício mais comum, parece pouco, como reclama o aposentado Manoel Rodrigues.

“Esse dinheiro mal dá para pagar as contas. Quando preciso comprar remédio compro fiado e ainda parcelo. Se não fizer assim vou morrer doente”, lamentou.

Individualmente é pouco o repasse, no entanto, quando todo esse montante é somado faz a diferença no dia a dia dos municípios. Existem algumas cidades onde o número de aposentados pela previdência é pequeno . Jordão, por exemplo. A cidade tem 128 beneficiários e Santa Rosa, com 85. Nessas cidades o FPM consegue ser maior, mas tem explicação: por causa da dificuldade de receber o dinheiro, na maioria das vezes por causa das distâncias, o aposentado, geralmente, muda para o município maior ou faz o cadastro nesse local, assim facilita pegar o dinheiro.

O bolsa família também ajuda a manter o comércio nos municípios. O valor é menor, mas consegue dar poder de compra. A Edineuza dos Santos parou de receber a bolsa e sem renda decidiu plantar hortaliças no quintal de casa e sair vendendo no carro de mão. Na hora da entrevista já tinha percorrido 4 horas nas ruas do Bujari e ainda precisa andar mais. “Tiraram o meu benefício e agora não tem renda lá em casa. Sem não vender essas verduras vamos morrer de fome”, alegou.
Se tivesse com o repasse do bolsa família, Edineuza, não estaria trabalhando nas ruas. Em janeiro o benefício federal colocou no mercado acreano R$ 6 milhões, 5% do total pago pelas aposentadorias.
Esse dinheiro, por menor que seja, garante a alimentação de muitas pessoas. Em Assis Brasil 81% das famílias recebem o bolsa família. Jordão, Santa Rosa e Manoel Urbano 75% das famílias dependem desse dinheiro, e assim como as aposentadorias, vão evitando que muita gente passe fome.




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