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Ciro Gomes e Simone Tebet criticam Milton Ribeiro e atacam Bolsonaro

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Ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, foi preso na manhã desta quarta-feira (22)
Reprodução: commons – 22/03/2022

Ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, foi preso na manhã desta quarta-feira (22)

Pré-candidatos à Presidência reagiram à prisão do ex-ministro Milton Ribeiro , na manhã desta quarta-feira, por suspeita de tráfico de influência e corrupção durante sua gestão na pasta da Educação. Ele é acusado de repassar recursos do MEC a prefeituras via pastores lobistas .

pedetista Ciro Gomes chamou Riberio de “falso pastor” e o acusou de atuar junto com o presidente Jair Bolsonaro (PL) . A declaração foi dada durante entrevista do ex-ministro à rádio Nova Manhã, da Bahia.

“Na educação, a tragédia. O pior investimento na história, as universidades estão fechando as portas e a gente recebe a notícia que estão roubando dinheiro da educação. Um camarada, que é do grupo de falsos pastores, que despachava com o Bolsonaro. Não adianta dizer que foi o pastor. O Bolsonaro que mandou o ministro picareta. O negócio para lavar dinheiro era com barras de ouro”, disse.

A senadora Simone Tebet (MDB-MS) , por sua vez, usou as redes sociais para comentar sobre o caso. A pré-candidata lamenta que “o que deveria ser prioridade nacional e política de estado virou manchete policial”

“A prisão preventiva do ex-ministro e de lobistas por suspeita de corrupção revela todo desmando que virou a Educação neste governo. O que deveria ser prioridade nacional e política de estado virou manchete policial. Corrupção também é marca desse governo. Nas vacinas, na educação, no orçamento secreto. O Brasil precisa de um novo caminho. É possível fazer diferente”, escreveu.

ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não se posicionou sobre o caso. No perfil do PT, a sigla compartilhou um vídeo com a fala de Bolsonaro afirmando que colocaria “a cara no fogo” por Milton Ribeiro.

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O pré-candidato pelo Avante, deputado federal André Janones (MG), também ironizou:

“Ministro do governo “sem corrupção” preso por corrupção. Taokey? Bom dia”, escreveu no Twitter, imitando bordão atribuído à Bolsonaro.

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POLITÍCA NACIONAL

Pesquisadores defendem adubo alternativo para enfrentar a crise dos fertilizantes

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Com a diminuição de exportações de fertilizantes pela Rússia e Ucrânia, os preços desses produtos têm se mantido em patamares elevados. Para fazer frente ao alto custo, pesquisadores defenderam soluções regionais para manejo da fertilidade do solo. O assunto foi discutido em audiência pública promovida pela Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e Amazônia da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (29).

Uma dessas alternativas é o uso de remineralizadores para suprir parte dos nutrientes necessários à produção agrícola, diminuindo os custos com a importação de adubos sintéticos.

Rodrigo Pertote/Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Funções sociais, econômicas e ambientais dos remineralizadores de solo. Sebastião Pedro da Silva Neto, chefe geral da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Cerrados
Silva Neto: 7% da área de grãos usa remineralizadores

Produto da mineração, os remineralizadores são minerais primários que aumentam a fertilidade, a retenção de água e a atividade biológica do solo. Seu uso melhora a resposta da terra aos fertilizantes e ao manejo agrícola em países de clima tropical.

Hoje, essa tecnologia é adotada em 5 milhões de hectares no país, o que representa 7% da área de grãos, segundo levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

“Se a gente for pensar a quantidade de fertilizantes que importamos, isso já impacta muito positivamente os nossos custos de produção e o impacto ambiental, tendo em vista que são produtos naturais que não têm impacto negativo”, frisou o pesquisador Sebastião da Silva Neto, que chefia Embrapa Cerrados.

“Associando os remineralizadores aos bioinsumos (à base de plantas e microorganismos), o Brasil está inaugurando a agricultura baseada em processos biológicos, muito mais eficiente do ponto de vista econômico”, acrescentou.

O pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Éder Martins estima que a demanda da agricultura por esses minérios será de 70 milhões de toneladas ao ano. Hoje, o país produz 250 milhões de toneladas anuais.

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“A mineração no Brasil tem potencial para gerar esses produtos” disse ao se referir às pedreiras produtoras de brita para a construção civil. No entanto, o representante da Abrefen, que reúne a cadeia produtiva dos remineralizadores, Frederico Bernardez, informou que hoje a demanda por remineralizadores é maior do que a capacidade de produção. Ele deixou claro que a ideia não é substituir os fertilizantes químicos por produtos alternativos, mas fazer uma transição por opções mais competitivas.

“Os produtores rurais não vão deixar de usar produtos convencionais. É uma transição, e nessa transição existe uma associação de produtos convencionais com produtos alternativos. É um processo ”, disse.

Bernardez ressaltou que os remineralizadores podem custar até R$ 400, já os insumos convencionais alcançam o patamar de R$ 7 mil.

Crise de commodities
A adoção dos remineralizadores poderia aliviar a dependência do Brasil pelos fertilizantes estrangeiros, enfatizou o pesquisador da Embrapa, Éder Martins. Hoje o país importa 96% do potássio usado como adubo e 85% do nitrogênio e do ferro.

“Existem previsões de que vamos ter problemas com essas fontes ainda no século XXI em relação à disponibilidade no mundo. Já há uma previsão para 2060, uma crise ligada ao potássio, e 2080, uma crise ligada ao fósforo”, sustentou Martins.

Em tempos de crise e escassez, o Brasil não poderá ficar refém do mercado internacional dos fertilizantes, defendeu a especialista em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural da Universidade de Brasília (UnB) Suzi Huff Theodoro.

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“Apesar de ser o quarto maior usuário de insumos químicos, o Brasil não participa da formação de preços, o que nos remete a uma dependência”, salientou. A pesquisadora reforçou que o uso desses minerais garante safras mais seguras e produtos ricos em nutrientes, se comparado ao uso de fertilizantes químicos.

Nesse ponto, o deputado Camilo Capiberibe (PSB-AP), que solicitou a audiência, também defendeu a autossuficiência. “Nós poderíamos ter na área de fertilizantes um caminho muito mais sólido, mas o Brasil, nos últimos anos, abriu mão dessa autonomia e dessa independência para a sua produção agrícola”, disse.

Déficit nutricional
Para o presidente do Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS), Rogério Vian, a dependência do potássio como única fonte mineral na produção agrícola diminuiu o valor nutricional dos alimentos ao longo dos anos, o que ocasionou uma crise de saúde pública.

“A gente está tendo de suplementar, porque não estamos consumindo mais alimentos com nutrientes que precisamos, então temos problemas com depressão e outras doenças relacionadas ao déficit nutricional”, sustentou.

Ele observou ainda a necessidade de informar melhor sobre os remineralizantes.  “Se a gente não levar isso para dentro das universidades, não colocar essa matéria no currículo escolar, os alunos saem da agronomia sem saber nada disso. Como a gente vai mudar uma realidade, se o agrónomo não sabe que isso existe?”, questionou.

Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Ana Chalub

Fonte: Câmara dos Deputados Federais

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