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“Estou preparado para ser pré-candidato a prefeito e disposto a mudar Rio Branco”, diz Jarude

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Depois de se eleger vereador sem esquemas, de nomear parte dos assessores por critérios técnicos, de não querer vínculos com o Executivo para manter a independência, de votar a favor da população e renunciar benefícios fazendo uma economia de R$ 500 mil, Emerson Jarude (sem partido), de 29 anos, já entrou para história do parlamento acreano como um político diferenciado.  Essa postura ética e coerente causou a ira de aliados do então prefeito Marcus Alexandre, principalmente depois de ele assinar e participar de uma Comissão que investigou o transporte coletivo na Capital. Achavam que o parlamentar iria aderir à nefasta política “franciscana” do dando que se recebe.
Nada justifica aquele que foi eleito pelo povo ficar contra ele”
Nono vereador mais bem votado, Jarude, que é bacharel em Direito pela Universidade Federal do Acre (Ufac), foi o candidato mais jovem no pleito de 2016. Como ele se elegeu? Combinou a participação ativa nas redes sociais com o diálogo direto com a população, fazendo dos semáforos de Rio Branco o seu palanque durante os 45 dias de campanha. “Abri mão da ajuda financeira do partido e fiz uma campanha simples, gastando apenas R$ 12 mil”, explicou ele.
“Em pleno século XXI, a nossa capital ainda tem ruas em que as crianças precisam usar sacolas nos pés para chegar à escola”
Além de se destacar como tribuno, o vereador apresentou projetos de lei, requerimentos, indicações, emendas, moções, e convocações que totalizam mais de 7.000 proposições. “O nosso mandato já cumpriu todos os compromissos de campanha e até ultrapassamos a esfera de atuação de um vereador”, assim resumiu o parlamentar, que, recentemente, entrou com uma Ação Popular para impedir o aluguel de um jatinho pelo governo estadual.
“O PT deixou 70% da população na pobreza ou extrema pobreza. Cabe à minha geração e às futuras reverter isso”
Jarude foi presidente da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar. Diante de todo esse ativismo, e ancorado no desgaste dos políticos tradicionais, ele analisa a possibilidade de ser candidato a prefeito de Rio Branco nas eleições do próximo ano. “Estou preparado para ser pré-candidato a prefeito e disposto a mudar Rio Branco”, assegura o político.
Neto de soldado da borracha, filho de professores, nascido e criado em Rio Branco, Emerson Jarude gosta de estudar e da política grande, como ele assim define. “Apesar de estar demonizada, a política ainda é a forma mais apropriada de servir a população”, declarou. A reportagem do AC Jornal foi até o seu gabinete e fez a seguinte entrevista:
AC Jornal – O senhor recebeu o convite de algum partido para ser candidato a prefeito?
Jarude – Recebi do MDB e agradeci pelo reconhecimento, mas não dei a resposta porque ainda é muito cedo. Um desses convites partiu do próprio presidente do diretório municipal, deputado Roberto Duarte. Primeiramente, nós tempos que pensar na população e no nosso município. Existem muitas disputas do poder pelo poder. Debate-se muito qual grupo que vai levar, mas não se debate as idéias desse grupo político.
AC Jornal – Para que serve a política?
Jarude – A política é uma forma de você transformar a realidade das pessoas. Este é intuito dela, todavia, o que se faz hoje é a politicagem. Por isso que dizemos: não desista da política. A maioria dos políticos quer apenas beneficiar o seu bolso. Nada justifica aquele que foi eleito pelo povo ficar contra ele.
AC Jornal – Por que o senhor quer ser prefeito de Rio Branco?
Jarude – Eu tenho uma identidade com Rio Branco. Nasci, me criei e formei aqui. Meus pais são professores e funcionários públicos. Não entrei na política pare me aventurar. Sei o potencial da nossa cidade e o quanto ela pode melhorar, se a administração for correta e com boa aplicação dos recursos públicos. No meu mandato de vereador venho mostrando isso na prática. Fui o parlamentar que apresentou o maior número de proposições na Casa (mais de 7 mil), além de ser o mandato mais econômico, sendo o primeiro parlamentar acreano a reduzir oficialmente os custos do gabinete. Se ampliarmos isso para um mandato de prefeito, poderemos fazer muito mais.
AC Jornal – Como o senhor avalia a gestão da prefeita Socorro Neri?
Jarude – É a continuidade do PT no Acre. Não gosto de avaliar pessoas, mas sim as suas ações. A operação verão atrasou seu início e não vem sendo transparente com o cronograma. Infelizmente, poucos vereadores se disponibilizam em fiscalizar. Houve problemas na entrega do Kit Escolar e atraso do ano letivo de quase um mês. Escândalo na Amac envolvendo o sobrinho da prefeita. Empréstimo de 48 milhões de reais que os próximos dois prefeitos irão pagar. Cidadãos que manifestaram seu descontentamento com a gestão foram processados por dano moral. Em pleno século XXI, a nossa capital ainda tem ruas em que as crianças precisam usar sacolas nos pés para chegar à escola. Talvez essas questões fazem com que a população não avalie muito bem a gestão da prefeita.
AC Jornal – Como o senhor avalia os primeiros sete meses de gestão do governador Gladson Cameli
Jarude – O governo do Gladson ainda não tem um objetivo definido. A bandeira do agronegócio não avançou, a violência continua assustando a população e a saúde ainda segue como um dos grandes gargalos. A turma de deputados do “toma lá da cá” quer cada vez mais cargos, pressionando o governador. E a população onde fica? Costumo dizer que a maneira como se ganha uma eleição é a maneira como se governa. O PT deixou um legado de 70% da população na pobreza ou extrema pobreza. Cabe à minha geração e as futuras reverter isso.
AC Jornal – O senhor é municipalista. Como analisa os serviços repassados do governo do estado para a prefeitura?
Jarude – As obrigações dos municípios vêm a cada ano aumentando, o que não está acontecendo na mesma proporção com a destinação de recursos, quer sejam oriundos da União ou dos Estados. Isso está criando um colapso. Quanto maior a distancia dos recursos, maior também o desperdício e a possibilidade de corrupção. É preciso tirar essa centralização dos recursos de Brasília. Eu sou totalmente favorável ao Mais Brasil e Menos Brasília.
AC Jornal – O que aconteceu com a Empresa Municipal de Urbanização (Emurb)?
Jarude – Foi necessária uma troca geral para tentar reerguer a empresa. Voltaram a usinar o asfalto e, aos poucos, observamos algumas melhoras. Todavia, a qualidade dos serviços nós só avaliaremos após o inverno. Eles colocaram uma meta de intervenção em 1.500 ruas, ou seja, cerca de 40% da malha viária da cidade, número que provavelmente não será alcançado. Houve uma audiência pública onde a prefeitura se comprometeu em entregar previamente o cronograma das atividades. Entregaram apenas o primeiro e o que percebemos? Mais de 60% das ruas estavam em atraso ou sequer haviam sido iniciadas as benfeitorias. Eu fui pessoalmente, rua por rua, fazer o registro. Depois disso, nunca mais enviaram nenhum cronograma.

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Com 75% das escolas fechadas devido à greve, prefeito de Rio Branco recua e propõe pagar piso em duas parcelas

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O impasse entre a Prefeitura de Rio Branco e os servidores da rede pública de Educação continua e cerca de 75% das escolas seguem sem aulas na capital por conta da greve. Nesta terça-feira (29), o prefeito Tião Bocalom afirmou que recuou e que vai pagar o piso aos professores em duas parcelas ainda este ano.
Esta era uma das pautas dos trabalhadores, mas, segundo a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Acre (Sinteac), Rosana Nascimento, a proposta ainda não foi formalizada e entregue ao sindicato e, pelo que foi divulgado, ela não contempla o que a categoria tem pedido. Por isso, a greve está mantida.
Os servidores municipais de Educação estão em greve desde o dia 24 do mês passado. Desde então, a categoria tem feito vários protestos pela cidade, inclusive junto com servidores da Educação estadual, que também estão com as atividades paralisadas.
A categoria pede:
– Reformulação de Plano de Cargo Carreira e Remuneração (PCCR);
– Piso nas carreiras aos professores, com 50% de diferença do nível médio para superior;
– Piso de uma única parcela aos professores;
– Piso dos funcionários de escolas que é de R$ 1.400, a proposta do Sinteac é de R$ 1.956;
– E se coloca contra a proposta da prefeitura de aumentar tempo de serviço para progressão salarial;
– Convocação efetiva do concurso de 2018.
A categoria voltou a protestar nesta terça em frente à Câmara de Vereadores de Rio Branco.
“A categoria disse que aceitaria o pagamento do piso em até duas parcelas. Além disso, que fosse avançada a pauta dos funcionários de escola, com piso de R$ 1,7 mil e R$ 1,8 mil. Aí, o prefeito está avançando com professores, mas não avançou com funcionários de apoio. Nós construímos algo com a categoria, que só vai sair da greve, avançando tanto na proposta dos professores como dos funcionários. Nós já abrimos mão demais”, disse Rosana.
Fonte: G1 Acre

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