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Cassado o mandato o vereador Célio Gadelha, de Rio Branco, por corrupção eleitoral. Veja relato das testemunhas

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O juiz eleitoral Gilberto Matos cassou o mandato do vereador Célio Gadelha *MDB) de Rio Branco. A sentença foi publicada no Diário Eletrônico da Justiça na noite desta terça-feira.
O magistrado viu provas na ação de impugnação de mandato eletivo proposta pelo Ministério Público Eleitoral
Na ação foram anexadas filmagens que mostram a entrega de valores às pessoas que tinham o nome listado (R$ 50,00 para cada uma delas) e o dinheiro apreendido quando do cumprimento do mandado de busca e apreensão nas residências do vereador e de se irmão, José Brito.
O dinheiro foi localizado “no chão do espaço embaixo da escada”, segundo consta do Termo de
Apreensão, sendo sobra de dinheiro utilizado na campanha com a mesma finalidade da conduta filmada”. diz a sentença.
Além de cassado, Célio Gadelha teve todos os seus votos anulados, e ficará inelegível por 8 anos. A mesa-diretora da Câmara de Rio Branco será comunicada da decisão na manhã desta quarta-feira.
“No caso concreto, da análise do conjunto probatório, há de se reconhecer em
primeiro momento que os elementos informativos colhidos em sede de investigação, mormente
as capturas de telas obtidas nas filmagens do ato que deu azo a toda a investigação,
demonstram de forma inconteste o ocorrido. Da análise das imagens da câmera externa da
empresa Atacadão é possível identificar a chegada de José Brito da Silva, irmão do impugnado,
em um carro de sua irmã – Francisca Brito da Silva. Já através da câmera interna do galpão podese observar toda a movimentação dos envolvidos, o que inclui o ato de discurso, a conferência de
nomes em lista, a entrega de “santinhos” e de quantia em dinheiro.
16. Em âmbito judicial, ocasião em que foram produzidas as provas testemunhais,
não houve incongruência nas declarações dos depoentes, que praticamente de forma unânime
afirmaram que o irmão do impugnado compareceu à empresa Atacadão Rio Branco no dia
anterior ao pleito eleitoral e, sob a escusa de suposta “dívida de churrasco”, distribuiu “santinhos”
do seu irmão e a quantia de R$ 50,00 (cinquenta reais) para cada um dos presentes, pedindo
“uma força” para a eleição do então candidato José Célio Brito da Silva”, escreveu o juiz.
 
Veja o que disseram as testemunhas arroladas pelo MPF:
Testemunha JEFFERSON SOUSA DA SILVA: afirmou, em síntese, que trabalha
no Atacadão Rio Branco; que o Brito (irmão do impugnado) apareceu nessa reunião
e ofereceu R$ 50,00 para cada funcionário e também ofereceu os santinhos do
irmão dele; Que quem chamou para a reunião foi o Brito, pedindo voto para o irmão
dele; Que esse dinheiro era uma dívida, que já faz muito tempo, pois ele é cliente e
ele prometia esse churrasco; Que ele aproveitou essas eleições para distribuir esse
dinheiro; Que o depoente não recebeu compra de votos, mas sim dívida de
churrasco; Que na mesma ocasião ele entregou o santinho; Que estavam mais ou
menos umas 20 pessoas; O dinheiro era para compensar o churrasco que ele havia
prometido; Que o depoente trabalha na empresa há 8 anos; Que em outros anos ele
já havia prometido o churrasco, mas não cumpria; Que de vez em quando ele dava
“o dinheiro da merenda para os funcionários”; Que das testemunhas deste processo,
quem pegou dinheiro foi Carlos Gilberto, Francisco Altemir, Juciete Viana, Valdomiro
Alves, Jair Marques, Adelson de Oliveira, Alex Matos e Israel Lopes; Que não
conhece Emerson; Que essa lista de recebimento foi feita na hora e era só para
controle de quem recebeu o dinheiro ou não, não constando informações eleitorais
acerca dos que receberam.
Testemunha CARLOS GILBERTO CAMPOS HOLANDA: afirmou, em suma, que
Brito é cliente da empresa e sempre prometia dar um churrasco para os
funcionários; Que nesse dia ele apareceu e disse que ia dar o dinheiro para os
funcionários; Que ele perguntou ao Manoel se R$ 1.000,00 dava para fazer o
churrasco, e ele disse que sim; Que então ele deixou os santinhos para o Alex,
dizendo que se os funcionários não tivessem candidatos, que votassem no irmão
dele, que ficaria agradecido; Que Alex distribuiu os santinhos a todos os que
estavam presentes; Que o Manoel disse que não ia fazer churrasco algum, e que
dividiria o dinheiro entre todos, sendo R$ 50,00 para cada; Que todo sábado ia um
Num. 95997713 – Pág. 2 Assinado eletronicamente por: GILBERTO MATOS DE ARAUJO – 27/09/2021 18:42:19
https://pje1g.tse.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=21092718421983100000091829791
Número do documento: 21092718421983100000091829791
candidato fazer palestra lá, mas esse candidato aí não tinha ido; Que o irmão dele é
que havia dito que se o irmão dele ganhasse ele daria um churrasco para os
funcionários; Que o Brito era um funcionário frequente da empresa e que já havia
outras vezes pago merenda aos funcionários; Que esse evento não se tratou de
compra de voto, mas apenas pedido para votarem no candidato.
Testemunha JAIR MARQUES DOS SANTOS: relatou que trabalha na empresa;
Que acredita que foi num sábado quando ele, o Brito, chegou; Que antes ele havia
prometido um churrasco aos funcionários; Que os funcionários foram reunidos, e ele
deu R$ 50,00 para cada um dos presentes, para que comprassem uma carne,
fizessem o churrasco; Que houve entrega de santinho, mas nesse dia o depoente
não pegou, só nas outras vezes; Que quanto ao depoimento prestado à Polícia
Federal (ID 69423216. p. 109), o depoente esclarece que o Brito não pediu
expressamente voto; Que ele não deu os R$ 50,00 para votar no irmão dele; Que
ele pediu “uma força”, ou seja, se os funcionários não tivessem candidato, que
ajudassem ele; Que ele deixou os santinhos para que fossem distribuídos aos
funcionários; Que confirma o que disse na delegacia, que em outra ocasião o Brito
ofereceu “generoso churrasco” caso o irmão dele ganhasse as eleições; Que na
Polícia Federal o depoente “só assinou” o seu termo de depoimento, sem ler; Que
não sabe se outras vezes o Brito levou lanche para os funcionários; Que o dinheiro
foi entregue para o churrasco, e não como pagamento pelo voto, pois ele só “pediu
uma força, um apoio, se não tivessem compromisso com alguém”.
Testemunha JUCIETE VIANA DA SILVA: afirmou que não tinha nada marcado,
mas o irmão do candidato chegou perto do horário de saída dos funcionários; Que
ele já havia prometido um churrasco; Que ele distribuiu os santinhos e o dinheiro;
Que o depoente pegou R$ 50,00; Que ele apenas perguntou se os funcionários
tinham candidato, e se não tivessem que dessem uma força para o irmão dele; Que
sempre iam candidatos lá, querendo apresentar o trabalho; Que a promessa de
churrasco não foi a troco de nada, pelo menos explicitamente; Que o depoente
soube que o Brito já havia feito uma reunião anterior, na qual o depoente não estava
presente, na qual disse que daria um “generoso churrasco”, mas não era “caso o
irmão dele vencesse”; Que trabalha há 12 anos no Atacadão Rio Branco, e essa foi
a primeira vez que ele prometeu churrasco; Que não considera que Brito tentou
comprar o seu voto.
Testemunha ADELSON DE OLIVEIRA LIMA: narrou que conhece o Brito como
cliente da empresa; Que o Brito já havia prometido um churrasco aos funcionários
da empresa desde a outra candidatura do irmão dele, caso fosse vitorioso; Que
dessa vez ele pediu uma força aos funcionários, para que votassem no irmão dele;
Que um funcionário da empresa questionou o fato dele ter prometido o churrasco da
outra vez e não cumprido, tendo então ele dito que pagaria o churrasco, então ele
pegou um acerta quantia, entregou a um funcionário, que distribuiu a todos os
funcionários presentes dizendo “taí, cada um faça o seu churrasco”; Que cada um
recebeu R$ 50,00; Que tinha um rapaz com ele, que distribuiu o santinho logo
depois, dizendo que “quem não tivesse candidato poderia votar naquele”; Que ele
não entregou o dinheiro como condição para que votassem no irmão dele.
Testemunha ALEX MATOS SILVA: contou, em resumo, que sempre no final de
ano faziam um churrasco, e o Brito foi lá para entregar dinheiro para esse churrasco;
Que ele não comprou voto, e o depoente inclusive votou em branco; Que ele disse
que se os funcionários não tivessem candidato, ajudariam votando no irmão dele;
Que o depoente pediu a ele santinhos, e então foram distribuídos.
Da decisão cabe recurso.

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Servidores da Educação e Saúde do AC mantém greve após aprovação de reajuste e auxílio alimentação

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Servidores da Educação e Saúde do estado decidiram manter a paralisação das atividades e atendimentos após aprovação dos reajustes salariais e auxílio alimentação pelos deputados na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac). As categorias se reúnem na próxima semana para discutir os próximos passos da greve.
A greve da Educação começou no dia 16 de fevereiro. O motivo é a paralisação dos servidores da pasta por melhorias salariais, concurso público e outras reivindicações. Por conta da paralisação, o início das aulas foram adiadas do dia 4 de abril para o dia 11.
“Vamos fazer a assembleia na segunda-feira [4] às 9h no Centro. Não era o que queríamos, queremos manter nossa estrutura de carreira, os percentuais entre os níveis, manter os percentuais entre nossas referências e, infelizmente, nos tiraram tudo. Vamos apresentar e discutir como ficou o projeto”, afirmou a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Acre (Sinteac), Rosana Nascimento.
Os sindicatos dos Trabalhadores em Saúde do Acre (Sintesac) e dos Médicos do Acre (Sindmed-AC) também se posicionaram a favor da paralisação. Para o Sindmed-AC, a reposição de 5,42% é ofensiva e o governo descumpriu o acordo.
“O descumprimento do acordo representou uma grande decepção para a categoria, uma ofensa, pois já havia concordância, por meio de negociação fechada, em junho do ano passado, que existiria a reposição inflacionária dos dois últimos anos”, pontuou o vice-presidente do sindicato, Rodrigo Prado.
O presidente do Sintesac, Adailton Cruz, disse que a categoria se reúne na próxima terça-feira (5) em uma assembleia geral para discutir se continua ou não com o movimento. “O reajuste aprovado não é o que o governo se comprometeu, não é nem a metade do que foi acordado. Os trabalhadores estão muito decepcionado”, revelou.
Com informações G1 Acre

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